quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

ANSES - 13/01/2026 - FRANÇA - GARANTIR O USO SEGURO DAS REDES SOCIAIS PARA PROTEGER A SAÚDE DOS ADOLESCENTES


 

Link - ANSES.FR

O crescimento extremamente rápido do uso de redes sociais digitais por adolescentes está gerando crescentes preocupações. A ANSES (Agência Francesa de Segurança Sanitária Alimentar, Ambiental e do Trabalho) realizou uma avaliação científica abrangente dos riscos à saúde associados a esse uso. A avaliação identifica inúmeros riscos potenciais, principalmente para a saúde mental dos adolescentes. As redes sociais em seu formato atual, que visam captar a atenção e manter o engajamento, exploram vulnerabilidades específicas dessa faixa etária. A Agência recomenda, portanto, que menores tenham acesso apenas a redes sociais protegidas e configuradas para proteger sua saúde.

Conhecimento multidisciplinar para fundamentar políticas públicas

Na França, um em cada dois adolescentes passa entre duas e cinco horas por dia usando smartphone, frequentemente acessando redes sociais, uma prática que está se tornando cada vez mais comum e frequente. De acordo com o barômetro digital CREDOC 2025, 58% dos jovens de 12 a 17 anos relatam acessar as redes sociais diariamente. A maioria publica conteúdo próprio ou compartilha e comenta o conteúdo de outros.

Em resposta a essa situação, a ANSES (Agência Francesa para a Segurança Alimentar, Ambiental e do Trabalho) realizou uma revisão inovadora por especialistas para informar todas as partes interessadas, incluindo a autoridades públicas, sobre os potenciais efeitos do uso das redes sociais na saúde dos adolescentes e ajudá-los a tomar as medidas adequadas. Para realizar esse trabalho, a ANSES contou com um grupo multidisciplinar de especialistas, incluindo epidemiologistas, biólogos, psiquiatras e psicólogos infantis e pesquisadores em ciências da informação e comunicação. Esses especialistas identificaram e analisaram mais de mil estudos científicos sobre os efeitos das redes sociais na saúde, tanto essa revisão por especialistas única devido ao grande volume de dados utilizados.

Mecanismos poderosos de captura de atenção aos quais os adolescentes são particularmente vulneráveis. 

Especialistas estudaram os mecanismos usados pelas redes sociais para capturar a atenção dos adolescentes. "Para avaliar os efeitos das redes sociais na saúde, foi importante ir além do tempo gasto nas redes e considerar o que os adolescentes realmente fazem nas redes sociais, suas motivações e seu envolvimento emocional", explica Olivia Ruth-Delgado, coordenadora da revisão especializada.

O modelo de negócio das redes sociais visa maximizar o tempo do usuário para fins comerciais. O objetivo é vender tanto espaço publicitário quanto dados sobre as preferências e hábitos do usuário. As empresas que desenvolvem redes sociais, portanto, implementam estratégias para captar a atenção e manter o engajamento do usuário pelo maior tempo possível. Essas estratégias se baseiam em mecanismos de incentivo poderosos, como interfaces manipulativas (padrões obscuros) e algoritmos que fornecem conteúdo altamente personalizado. Esses algoritmos podem gerar um "efeito espiral", no qual os usuários ficam presos em conteúdo cada vez mais direcionado e, às vezes, extremo.

As redes sociais, da forma como estão atualmente estruturadas, exploram as necessidades específicas da adolescência em termos de interação e comparação social, emoções e tomada de riscos, bem como a busca por reconhecimento entre pares.

"A adolescência é um período sensível no desenvolvimento e na construção da identidade e individual e social. Os adolescentes têm menos habilidades de regulação emocional e comportamental do que os adultos, o que os torna particularmente vulneráveis aos efeitos nocivos das redes sociais", explicam os especialistas.

Distúrbios do sono: Ao maximizar o tempo gasto nas redes sociais, a hora de dormir é adiada e o processo de adormecimento pode ser interrompido, levando a distúrbios do sono. A má qualidade do sono causa sonolência diurna, irritabilidade, tristeza e pode contribuir para sintomas depressivos.

Perda de autoestima

A troca de conteúdo virtual focado na aparência física, seja por meio de imagens retocadas ou não, pode distorcer a imagem corporal. Essas práticas, combinadas com as pressões sociais para se adequar aos padrões de beleza, podem exacerbar os transtornos alimentares. Além disso, especialistas confirmam que a exposição a conteúdo ficcional ou idealizado nas redes sociais pode levar à baixa autoestima e, assim, criar um terreno fácil para o surgimento de sintomas depressivos.

Comportamentos de Risco

Os algoritmos de personalização de conteúdo amplificam a exposição a conteúdo que pode estar relacionado a comportamentos de risco, como transtornos alimentares, automutilação, uso de drogas ou tentativas de suicídio.

Exposição à Ciberviolência

A ciberviolência e o cyberbullying (insultos, boatos, exclusão, chantagem ou distribuição de imagens íntimas sem consentimento) têm repercussões na saúde mental. O anonimato e a facilidade com que as ameaças podem ser disseminadas amplificam o envolvimento da ciberviolência.

Meninas Mais Expostas nas Redes Sociais (dados da França)

Por fim, pesquisas mostram que as meninas são mais impactadas do que os meninos em todos esses efeitos.Essa observação pode ser  explicada por diversos fatores:

1. As meninas usam as redes sociais mais do que os meninos; 

2. Elas usam com mais frequência  redes sociais altamente virtuais, baseadas na troca e compartilhamento de imagens e na autoapresentação; 

3. Elas sofre mais pressão social relacionada a esteriótipos de gênero;

4. Elas são vítimas de cyberbullying com mais frequência do que os meninos;

5. Elas também parecem dar mais importância ao conteúdo das redes sociais digitais, com um envolvimento emocional mais forte.

"As redes sociais funcionam como um espaço para refletir certas dinâmicas sociais", explicam os especialistas.

As plataformas devem garantir redes que respeitem a saúde dos menores.

Para proteger a saúde dos menores, a ANSES (Agência Francesa para a Segurança Alimentar, Ambiental e do Trabalho) recomenda abordar as causas profundas do uso nocivo das redes sociais. Recomenda, portanto, que os menores só tenham acesso a redes sociais concebidas e configuradas para proteger a sua saúde.

Isso significa que as plataformas digitais devem implementar os limites de idade estipulado pelo RGPD para impedir o acesso de menores de 13 anos, com sistemas confiáveis de verificação da idade e obtenção do consentimento dos pais.

Implica também uma revisão completa dos princípios de funcionamento das redes sociais: evitar a utilização de técnicas de interface manipulativas, proibir a disseminação de conteúdos prejudiciais à saúde (comportamentos de risco, jogos de azar, dietas extremas, conteúdo violento, pornográfico, de ódio, assédio etc), limitar a amplificação de conteúdo prejudicial à saúde e regular as funcionalidades concebidas para aumentar, manter ou proteger o envolvimento do utilizador com o serviço.

A Agênia reitera ainda que as plataformas têm a responsabilidade de garantir serviços de redes sociais que protejam a saúde dos utilizadores e de mobilização robustas. Para tal, a ANSES sublinha a importância de trabalhar para o cumprimento da Lei Europeia dos Serviços Digitais, aplicáveis desde 17 de fevereiro de 2024 (comentário do tradutor: infelizmente, no Brasil, procura-se atrasar e/ou impedir a regulamentação de lei dessa natureza). Segundo Olivier Merckel, chefe da unidade de avaliação de risco relacionados com agentes físicos, "os numerosos efeitos negativos para a saúde dos adolescentes, destacados e documentados por esta análise especializada da ANSES, exigem a adoção de um quadro de "governança" das redes sociais compatível com os desafios de saúde pública". 

O uso das redes  sociais tem uma influência duradoura na forma como os adolescentes interagem com o mundo e o percebem quando se tornam adultos. A ANSES enfatiza, portanto, a importância da implementação de políticas que promovam a alfabetização digital (comentário do tradutor: diríamos aqui no Brasil letramento digital) e o apoio, principalmente por parte dos pais. A Agência credita que essas medidas preventivas devem ser desenvolvidas em colaboração com os adolescentes. DE fato, as campanhas de conscientização serão muito mais eficazes quando os adolescentes estiverem envolvidos es sua criação. 

Disponível em: https://www.anses.fr/fr Acesso em: 13 jan. 2026.

Tradução e comentários: Leonardo Ferreira da Silva


segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

VARIAÇÃO LINGUÍSTICA - XENOFOBIA - PRECONCEITO LINGUÍSTICO - DISCURSO DE ÓDIO - INTOLERÂNCIA - VIOLÊNCIA

 

Gráfico - Disponível em: <https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2023/10/06/brasileiros-sao-lixo-com-400-mil-imigrantes-xenofobia-cresce-em-portugal.htm> Acesso em: 01 dez. 2025.

Mãe denuncia agressão a menino brasileiro em escola de Portugal

Criança de 9 anos teve dois dedos parcialmente amputados

Um menino brasileiro de 9 anos sofreu uma amputação parcial de dois dedos em uma escola de Portugal. Tanto a mãe do garoto quanto políticos do país suspeitam que o caso pode se tratar de uma agressão motivada por xenofobia e racismo. 

O caso ocorreu em Cinfães, no dia 10 de novembro, na Escola Básica Fonte Coberta, que teria dito à mãe do menino que o ferimento ocorreu por acidente.

Relatos da mãe da criança indicam que estudantes praticavam bullying contra seu filho e teriam usado a porta do banheiro para pressionar os dedos da criança, amputando-os parcialmente.

O caso chamou a atenção da mídia portuguesa, levando a coordenadora do Bloco da Esquerda (BE), Mariana Mortágua, a questionar o Ministério da Educação de Portugal sobre a possibilidade de se tratar de mais um caso de racismo e xenofobia nas escolas daquele país.

Presidente da Câmara Municipal de Cinfães, Carlos Cardoso disse ter conversado com um diretor da escola, e que ele teria assegurado já estar em curso um processo interno para averiguar o caso.

Disponível em: <https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-11/mae-denuncia-agressao-menino-brasileiro-em-escola-de-portugal> Acesso em: 01 dez. 2025.

RESPONDA

01. Comente, criticamente, o tema central do texto acima (com respeito aos direitos humanos).  

02. Segundo o texto, por que a criança brasileira sofreu uma amputação parcial de dois dedos?

03. De acordo com os estudos variacionistas, quem fala "certo" e quem fala "errado"? Explique.

04. Pesquise e responda: dos países lusófonos (como: Brasil, Angola, Guiné-BIssau, Timor Leste, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde Portugal, Guiné Equatorial e Moçambique), aponde aquele que assume o maior número de falantes de língua portuguesa. 

05. Seria o "português europeu" uma língua pura? Explique. 

06. No Brasil, existiria uma língua "certa"? Explique e exemplifique.

07. Segundo Bagno (2005, p. 43)*, "o preconceito linguístico é decorrência de um preconceito social". Diante dessa afirmação e levando em conta o conteúdo do texto, explique  a forma de discriminação apontada. 

*BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. São Paulo: Edições Loyola, 2005. 

08. Em outra passagem, ao comentar sobre preconceito sofrido por nordestinos, Bagno (2005, p. 44-45)* conclui: "então, se o fenômeno é o mesmo. por que na boca de um ele é 'normal' e na boca de outro ele ´' 'engraçado', 'feio' ou 'errado'? Porque o que está em jogo aqui não é a língua, mas a pessoa que fala essa língua e a região geográfica onde essa pessoa vive". Diante desse comentário, o que pode ser inferido do texto acima?

*BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. São Paulo: Edições Loyola, 2005.

09. No livro Aporofobia, a rejeição ao pobre: um desafio para a democracia, Adela Cortina - filósofa espanhola - faz o seguinte comentário: "isso aconteceu com a xenofobia e o racismo, tão antigos quanto a própria humanidade, que agora têm nomes para criticá-los. O que é peculiar nesses tipos de fobias é que elas não são produto de uma história pessoal de ódio contra uma pessoa específica com quem se teve experiências ruins, seja por meio da própria história ou da história dos ancestrais, mas sim algo mais estranho. Trata-se de animosidade contra certas pessoas, na maioria das vezes desconhecidas, porque elas possuem uma característica de um determinado grupo, que a pessoa que sofre da fobia considera temível ou desprezível, ou ambas. Com base nessa posição, comente o caso descrito no texto sem perder de vista as questões relacionadas ao preconceito linguístico.

10. Por que devemos conhecer as teorias variacionistas e combater o preconceito linguístico?

OXFORD UNIVERSITY PRESS ESCOLHE "RAGE BAIT" COMO A PALAVRA DO ANO DE 2025

 


Como se sabe, no ano passado, a Oxford University Press escolheu a expressão "brein rot" (apodrecimento cerebral). Para este ano de 2025, a instituição internacional elegeu "rage bait", que pode significar, segundo O Globo*, "isca de raiva" ou, de forma mais detalhada, o termo pode ser entendido como "conteúdo online deliberadamente criado para provocar raiva ou indignação, sendo frustante, provocativo ou ofensivo".

Disponível em: https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2025/12/01/rage-bait-e-a-palavra-do-ano-de-2025-segundo-o-dicionario-de-oxford.ghtml Acesso em: 01 dez. 2025.



domingo, 9 de novembro de 2025

PROPOSTA DE REDAÇÃO - ENEM - 2025


 

GABARITO EXTRAOFICIAL ENEM - PROVA VERDE - 10/11/2025

 GABARITO EXTRAOFICIAL ENEM- PROVA VERDE 

Atenção! Fizemos a retificação da questão: 23 - C e da questão: 41 - D, conforme gabarito definitivo publicado pelo INEP 



Disponível em: https://oglobo.globo.com/brasil/educacao/enem-e-vestibular/noticia/2025/11/09/gabarito-prova-verde-enem-2025-veja-correcao-extraoficial-do-1o-dia.ghtml Acesso em: 10 nov. 2025.

sábado, 8 de novembro de 2025

TÓPICOS DE REVISÃO - III TRIMESTRE - LÍNGUA PORTUGUESA - 2o ANO - ENSINO MÉDIO

 

1.       Simbolismo: poemas de Cruz e Sousa; Conteúdo temático – misticismo, obsessão pelo branco, etéreo, vida, morte, sugestão; Forma – 1.       figuras de palavras ou semânticas (metáfora e metonímias); figuras de som (aliteração e assonância), figuras de pensamento (ironia e antítese); figuras de sintaxe ou construção (elipse, pleonasmo).

2.       Parnasianismo: Raimundo Correia e Olavo Bilac; sonetos; temas; vocabulário e características gerais.

3.       Alphonsus de Guimaraens: temas, musicalidade; mistério; essência

4.       Pré-Modernismo: interface com o Simbolismo-Parnasianismo – Triste fim de Policarpo Quaresma

5.       Olavo Bilac

6.       Concordância verbal – verbos ter; haver; Fazer; VTD+SE; VTI + SE; VI + SE

7.       Concordância verbal – Haver, Existir (atenção para o referente)

8.       Compreensão e semântica do verbo - textos do domínio discursivo jornalístico e do domínio discursivo literário.

9.       Compreensão – texto da esfera literária – elementos da narrativa – discurso

10.   Simbolismo e Parnasianismo: produção literária; características do texto poético