01. Leia e responda:
Torce, aprimora, alteia, lima
A frase; e, enfim,
No verso de ouro engasta a rima,
Como um rubim.
Quero que a estrofe cristalina,
Dobrada ao jeito
Do ourives, saia da oficina
Sem um defeito:
(...)
Assim procedo. Minha pena
Segue esta norma,
Por te servir, Deusa serena,
Serena Forma!
(...)
a) A qual estilo de época pertencem esses versos? __________________________________________
b) Transcreva os versos em que o poeta personifica o objeto de sua devoção.
_____________________________________________________________________
02. “Tu, artista, com zelo, Esmerilha e investiga!Níssia, o melhor modeloVivo, oferece, da beleza antiga.Para esculpi-la, em vão, árduos, no meioDe esbraseada arena,Batem-se, quebram-se em fatal torneio,Pincel, lápis, buril, cinzel e pena.”[...]
O trecho evidencia tendências ___________ , na medida em que ______________ o rigor formal e utiliza-se de imagens _____________.
a) românticas - neutraliza - abstratas
b) simbolistas - valoriza - concretas
c) parnasianas - exalta - mitológicas
d) simbolistas - busca - cotidianas
e) parnasianas - evita – prosaicas
03. Para responder a esta questão, considere os versos.
Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino, escreve! No aconchego,
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!
Mas que na forma se disfarce o emprego
Pelas características desse texto, é correto afirmar que pertence à estética
a) simbolista; seu tema é a entrega às sensações geradas pela poesia; o trabalho do poeta é suscitar imagens fortes.
b) romântica; seu tema é a evasão no espaço; o trabalho do poeta é visto como extravasamento da emoção.
c) parnasiana; seu tema é a própria poesia; o trabalho do poeta é visto como busca da perfeição formal.
d) modernista; seu tema é a agitação da vida moderna; o trabalho do poeta é visto como registro dessa agitação.
e) barroca; seu tema é a religiosidade; o trabalho do poeta é visto como sacrifício.
04. Leia e responda
AS POMBAS
Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada
E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais, de novo, elas, serenas
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...
Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam
Como voam as pombas dos pombais;
No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam
E eles aos corações não voltam mais...
(Raimundo Correia)
O poema é um soneto; porque tem:
a) dois quartetos e dois tercetos.
b) rima.
c) medida.
d) ritmo.
e) sonoridade.
05. Assinale a alternativa cujos termos preenchem corretamente as lacunas do texto inicial.
Esses poetas dedicavam-se, muitas vezes, a escrever sobre um "vaso grego", uma "taça de coral", uma "brilhante copa". Ao mesmo tempo em que admiravam os "áureos relevos", o "fino lavor" e o som "canoro e doce" desses objetos, viam-se a si mesmos como artesãos do verso, verdadeiros "ourives" da língua. Essa tendência preciosista teve em .................. e ................. dois dos principais representantes, dentro do estilo ................... .
a) Castro Alves e Gonçalves Dias - romântico.
b) Olavo Bilac e Alberto de Oliveira - parnasiano.
c) Gonçalves Dias e Olavo Bilac - romântico.
d) Alberto de Oliveira e Castro Alves - parnasiano.
e) Gonçalves Dias e Alberto de Oliveira - parnasiano.
06. Leia e responda.
PERFEIÇÃO
Nunca entrarei jamais o teu recinto:
Na sedução e no fulgor que exalas,
Ficas vedada, num radiante cinto.
De riqueza, de gozos e de galas.
Amo-te, cobiçando-te... E, faminto,
Adivinho o esplendor das tuas salas,
E todo o aroma dos teus parques sinto,
E ouço a música e o sonho em que te embalas.
Eternamente ao meu olhar pompeias.
E olho-te em vão, maravilhosa e bela,
Adarvada de altíssimas ameias.
E à noite, à luz dos astros, a horas mortas,
Rondo-te, e arquejo, e choro, ó cidadela!
Como um bárbaro uivando às tuas portas!
(Olavo Bilac)
Assinale a alternativa falsa:
a) "Exalas" (verbo) e "galas" (substantivo), "faminto" (adjetivo) e "sinto" (verbo); "pompeias" (verbo) e "ameais" (substantivo) são alguns exemplos de rimas ricas.
b) Entre os versos 3 e 4 ocorre um encadeamento sintático denominado cavalgamento ou "enjambement", que atenua o efeito sonoro de rima, alterando o ritmo.
c) Em "Como um bárbaro" temos a ocorrência de uma metáfora e, na sequência, a ação de uivar ("uivando"), associada ao ser humano, configura uma expressiva zoomorfização.
d) O efeito da zoormofização referida é o de dar intensidade ao desejo de perfeição do "eu" poemático, a uivar como um bárbaro animalizado, diante da cidadela inexpugnável.
e) A ideia abstrata da perfeição é configurada no soneto por imagens plásticas que a tornam um objeto concreto: ela é descrita como se fosse um castelo, uma fortaleza, defendida por obstáculos intransponíveis.
07. A questão a seguir refere-se ao texto “Língua”, de Caetano Veloso, exposto abaixo.
Gosto de sentir a minha língua roçar
A língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar
A criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixa os portugais morrerem à míngua
“Minha pátria é minha língua”
Fala, Mangueira!
Flor do Lácio, Sambódromo
Lusamérica, latim em pó.
O que quer
O que pode
Esta língua?
(...)
A expressão “Flor do Lácio” também faz parte de um famoso poema da Literatura Brasileira, intitulado “Língua Portuguesa”, produzido na segunda metade do século XIX.
Assinale a alternativa que apresenta características pertencentes ao estilo da época em que foi produzido esse poema.
a) Subjetivismo, culto da forma, arte pela arte.
b) Culto da forma, misticismo, retorno aos motivos clássicos.
c) Arte pela arte, culto da forma, retorno aos motivos clássicos.
d) Culto da forma, subjetivismo, misticismo.
e) Subjetivismo, misticismo, arte pela arte.
08. Leia e responda:
MAL SECRETO
"Se se pudesse, o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!"
(Raimundo Correia)
O fragmento apresentado no texto contém uma oposição semântica fundamental entre o(a):
a) eu-lírico e o ser humano em geral.
b) eu-lírico e as pessoas que o invejam.
c) ser que chora e os demais seres humanos.
d) íntimo do ser humano e sua aparência.
e) realidade exterior e o desejo humano.