sábado, 18 de abril de 2020

REVISÃO - CONCORDÂNCIA VERBO-NOMINAL

LÍNGUA/LINGUAGEM 
®Leonardo Ferreira da Silva

🚶 Um passeio pela gramática...🚶



     CONCORDÂNCIA VERBO-NOMINAL   
®Leonardo Ferreira da Silva

®Leonardo Ferreira da Silva

                                        CONCORDÂNCIA NOMINAL


➤CONCORDÂNCIA NOMINAL 

A gramática escolar declara que o adjetivo, o artigo, o numeral e o pronome (adjetivo) concordarão com o substantivo em gênero e número.

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Lembre-se! Pronome adjetivo é aquele que acompanha o substantivo.

Exemplos:

 "Minha terra tem palmeiras" (Canção do Exílio, de Gonçalves Dias)
      ↪ pronome possessivo adjetivo (acompanha o substantivo)

"Alguns anos vivi em Itabira" (Confidência do Itabirano, de Carlos Drummond)
      ↪ pronome indefinido adjetivo (acompanha o substantivo)


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Exemplos:

"[...] 
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção ..."
                                                              (Fragmento de: "Poética", de Manuel Bandeira) 
®Leonardo Ferreira da Silva
Comentário👀
Vemos que no fragmento de "Poética", de Manuel Bandeira, o pronome indefinido "todas" e o artigo "as" concordam em gênero (feminino) e em número (plural) com o substantivo "palavras" (feminino, plural). Na sequência, o artigo "os" e o adjetivo "universais" concordam com o substantivo "barbarismos". No outro verso, o pronome adjetivo (indefinido) "todas" e o artigo "as" concordam em gênero e número com o substantivo "construções" e, em seguida, o artigo "as" concorda com o substantivo "sintaxes".


"Bom dia, mestre Zé - foi dizendo o pintor Laurentino a um velho, de aparência doentia, de olhos amarelos, de barba crescida."
                                   (REGO, José Lins do. Fogo Morto. São Paulo: Abril Cultural, 1983, p. 9)


®Leonardo Ferreira da Silva
Comentário👀
No fragmento do romance "Fogo Morto", de José Lins do Rego, destaco que o artigo "o" concorda em gênero e em número com o substantivo "pintor". Em seguida, convém observar que o artigo "um" concorda em gênero e número com o substantivo "velho" (note que, aqui, a palavra "velho" não é adjetivo, pois tal item vem determinado por artigo). Ainda no trecho em análise, o adjetivo "doentia" concorda com o substantivo "aparência", "amarelos" concorda com o substantivo olhos e "crescida" concorda com o substantivo "barba". 



®Leonardo Ferreira da Silva


Alguns casos apontados pela gramática escolar
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PARTE 1 -  Quando o adjetivo vier anteposto aos substantivos, a concordância será com o núcleo mais próximo.
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Exemplos:

Ela escolheu péssima hora e lugar para fazer comentários.
                           ↪ adjetivo
A estudante comprou velhas revistas e jornal.
                                        ↪ adjetivo
O secretário escreveu: caro professor e equipe...
                                        ↪ adjetivo

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Lembre-se! Se o adjetivo vier anteposto a nomes próprios de pessoas ou a graus de parentesco, o adjetivo concordará com os dois núcleos.

Exemplos: 

O rapaz encontrou com as charmosas irmã e prima de Carlota.
                                            adjetivo plural⇢   grau de parentesco
Todos reconheceram as produções literárias dos notáveis Rui Barbosa e Machado de Assis.
                                                                              adjetivo plural  nomes próprios de pessoas


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Agora, professor Leonardo, como esse assunto pode ser explorado na avaliação?


®Leonardo Ferreira da Silva
Questão 1 - Assinale a alternativa que não atende à gramática escolar.

A) O narrador pulou longos páginas e capítulos
B) Ele pulou longos capítulos e páginas
C) Ele escreveu capítulos e páginas compactas.
D) Ele escreveu capítulos e páginas compactas.
E) Ele escreveu páginas e capítulos compactos.
®Leonardo Ferreira da Silva

Comentário👀
Segundo a gramática normativa, quando o adjetivo vem anteposto aos substantivos, a concordância será exclusivamente com o "nome" mais próximo. Então, na letra A, a oração deveria ser escrita assim: "O narrador pulou longas páginas e capítulos", conforme a "norma padrão". Logo, o adjetivo "longas" deve concordar em gênero (feminino) e número (plural) com o substantivo "páginas"(feminino, plural).

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PARTE 2 - Com os adjetivos e com os pronomes adjetivos: anexo, incluso, obrigado, mesmo e próprio

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Exemplos:

O documento segue anexo.
As notas seguem anexas ao processo.
Os brindes seguem inclusos.
A fotografia voltou inclusa.
As cantoras próprias receberam homenagem.
O jogador mesmo fez a doação milionária.
O professor disse: muitíssimo obrigado.
A advogada, antes de desligar o telefone, falou: obrigada


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PARTE 3 -  O caso das palavras: meio, bastante e menos
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Exemplos:


As atrizes chegaram meio cansadas.
                                     ↪ advérbio (=um pouco)
O adolescente comeu meia maçã, meia pera e meio morango, durante o lanche da tarde.
                                    ↪ numeral    ↪ numeral    ↪ numeral (sofre flexão quando indica quantidade)
Bastantes estudantes se interessam por um projeto de vida.
 ↪ pronome indefinido, portanto sofre flexão
Aqueles candidatos estudam bastante.
                                                      ↪ advérbio, pois modifica um verbo (invariável)
Menos crianças comeram hambúrguer.
    ↪ palavra invariável, logo não sofre flexão
menos reclamações esta semana.
         ↪ palavra invariável, portanto não sofre flexão


Agora, professor Leonardo, como esse assunto pode ser explorado na avaliação?

Questão 2 - Responda:

A) Analise os itens multimodais da tirinha e, em seguida, explique o sentido humorístico desse mesmo texto.
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B) Por que a palavra "bastantes" está flexionada, no último quadrinho?
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PARTE 4 - Certas palavras que podem funcional como adjetivo: muito, pouco, caro, barato e longe
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®Leonardo Ferreira da Silva
Comentário👀
As palavras 'adjetivas' que destaquei acima podem concordar com o substantivo a que se referem.


Exemplos: 
                                         
Existem muitas mercadorias baratas, em Recife?
                                     
Não compraremos roupas caras, porque temos pouco dinheiro.
                             
Viajamos por longes países.



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PARTE 5 - Com as expressões formadas pelo verbo "ser" mais um "adjetivo", haverá duas opções de concordâncias
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🙋 SER + ADJETIVO

Exemplos:

Fumar é proibido.
Água é ótimo.
Chuva é necessário.
®Leonardo Ferreira da Silva
Comentário👀
Observe que nos três casos acima, não há a presença de determinante, portanto permanecem invariáveis.


A bebida alcoólica é proibida neste lugar.
A água é boa.
Esta chuva é necessária.


®Leonardo Ferreira da Silva
Comentário👀
Contudo, se a expressão vier com um determinante, a concordância será com esse item obrigatoriamente. Então, "proibida" concorda com o determinante "a" (artigo), "boa" concorda com "a" e "necessária" concorda com "esta"





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PARTE 6 -  Com expressão formada por: 
                             "...mais ...adjetivo... possível"
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1. O adjetivo concordará com o substantivo.

Exemplos:

Venderam apartamentos o mais confortáveis possível.
O estudante gosta de ler livros o mais volumosos possível.

2. A palavra possível concordará com o artigo.

Exemplos:

Alugaram apartamentos os mais confortáveis possíveis.
A estudante gosta de ler livros os mais volumosos possíveis.






                                        CONCORDÂNCIA VERBAL

Revisão, em 19/4/2020
®Leonardo Ferreira da Silva
➤CONCORDÂNCIA VERBAL

Do ponto de vista da gramática normativa, o verbo concorda com o sujeito em número pessoa. Em outras palavras, o verbo se "alinha harmonicamente" ao sujeito em número (singular ou plural) e em pessoa [1a. (eu, nós), 2a. (tu, vós) e 3a. (ele/ela, eles/elas)] com o sujeito.

Exemplos:

Coronavírus: Congresso e governo dos EUA chegam a acordo por pacote de US$ 2 tri
                                                                                       (Estadão, 25/3/2020)

Comentário👀
Nesta manchete, o verbo "chegam" concorda na 3a. pessoa do plural com o sujeito composto "Congresso e governo dos EUA" (observe que o sujeito composto "Congresso e governo dos EUA" equivale ao pronome "eles", portanto o verbo se harmoniza com essa ideia de 3a. pessoa do plural).
®Leonardo Ferreira da Silva

Coronavírus: montadoras do Brasil se preparam para produzir respiradores
                                                                                     (O Globo, 25/3/2020)

Comentário👀
Neste outro exemplo, o verbo "preparam" concorda com o sujeito "montadoras do Brasil". Como pode ser visto, o verbo fica na 3a. pessoa do plural tal qual o sujeito "montadoras do Brasil", que se encontra na 3a. pessoa do plural.
®Leonardo Ferreira da Silva
Olimpíada é adiada para 2021
                                                                                  (Folha de S. Paulo, 24/3/2020)

Comentário👀
Aqui, o verbo "é" permanece na 3a. pessoa do singular para assentir com o sujeito "Olimpíada", que também está na 3a. pessoa do singular (o sujeito "Olimpíada" equivale ao pronome "ela").

®Leonardo Ferreira da Silva

No Rio, favelas esperam a chegada do vírus sem água e com aglomeração
                                                                                 (Folha de S. Paulo, 22/3/2020)

Comentário👀
Este exemplo é interessante, porque há um adjunto adverbial de lugar deslocado. Em casos como o da manchete em análise, existem aqueles que têm dificuldade de encontrar o sujeito, logo, inevitavelmente, muitos se deparam com esse impedimento de estabelecer a concordância. Assim sendo, depois de localizado o sujeito "favelas", fica mais fácil entender que o verbo "esperam" concorda com tal sujeito na 3a. pessoa do plural. Então, reitero, fica compreensível que o verbo "esperam" assume a 3a. pessoa do plural para se "adequar harmônica e solidariamente" ao sujeito "favelas". 

Observação: vale lembrar que os textos da esfera jornalística são mais monitorados, portanto a linguagem é tida como formal. Por essa razão, os editores adotam, na maioria dos casos, as regras da gramática normativa.
®Leonardo Ferreira da Silva
NOTA:
Concordância do verbo com sujeito composto
A complexidade da língua/linguagem exige um estudo detalhado sobre certos usos (refiro-me à pragmática, quer dizer, ao uso efetivo da língua) em determinados gêneros. Dessa forma, o sujeito composto, por exemplo, pode se manifestar em diferentes textos de forma a atender uma lógica específica. Assim, é imprescindível destacar, no plano ainda da gramática escolar, algumas dessas regras.

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PARTE 1 -  Quando há sujeito composto

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1. O verbo ficará no plural, quando o sujeito comporto vier anteposto.


"Isolamento social e menor circulação barateiam preço de combustível"
                                                              (Correio Braziliense, 15/4/2020)

"SP, RJ, DF, CE e AM podem entrar em fase de aceleração descontrolada do coronavírus"
                                                               (Folha de S. Paulo 4/4/2020)
2. Quando o sujeito composto vem posposto, o verbo poderá ficar no singular ou poderá ir ao plural.

"Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão"
                                                              (Mateus 24.35; Bíblia de Estudo Almeida, 2006, p.50)

"Cumprimentaram-se o professor e o motorista"
                                                              (SACCONI, 1994, p. 377)
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PARTE 1 -  Casos especiais 
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1. VERBO TRANSITIVO DIRETO + SE (partícula apassivadora)


Comentário👀
Aqui, podemos ver a imagem de um recorte de "classificados" de jornal impresso. Nele, encontramos um verbo transitivo direto mais uma partícula apassivadora "se". Nesse sentido, convém notar que o verbo "vender", segundo a regência verbal, é transitivo direto (ou seja, precisa de complemento sem preposição). A partícula "se" funciona como pronome apassivador e nos dá a certeza de que o sujeito paciente é Celta Life. Assim, o verbo deve ficar no singular, porque concorda com o sujeito Celta Life. Ademais isso, vale pontuar que, se o sujeito fosse composto ou se o sujeito estivesse no plural, consequentemente, o verbo iria ao plural como em: "Vendem-se carros" ou "Alugam-se apartamentos".

2. VERBO TRANSITIVO INDIRETO + SE (índice de indeterminação do sujeito)
Comentário👀
A placa, acima, traz um verbo transitivo indireto mais um índice de indeterminação do sujeito. Isso significa afirmar que o sujeito da oração é classificado como indeterminado, logo esse verbo (precisar) deverá ficar no singular. Note bem que "profissionais" é objeto indireto (no entanto, a redação da placa, conforme a gramática escolar, deveria ser: "Precisa-se de profissionais com experiência").

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DESTAQUE ESPECIAL -  A concordância ideológica é aquela que se faz a partir da ideia. Por isso mesmo, a estrutura morfossintática pouco importa. 
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Exemplos:

As meninas é uma belíssima composição.
Comentário👀
Quero destacar que o verbo fica no singular para concordar com a ideia de pintura (quadro do pintor espanhol Diego Velázquez). Logo, não haverá uma concordância dependente do mecanismo convencional, mas o princípio, que defendo, é notoriamente ideológico.

A linda  Recife fascina os visitantes.
Comentário👀
Como vemos, a ideia de que Recife é uma cidade está evidente. Nesse sentido, a concordância se dará com essa ideia de cidade, isto é,com a  palavra cidade que está subentendida.

Os docentes defendemos a ciência.
Comentário👀
É importante destacar que todo o estranhamento provocado por essa oração reside no fato de que não há um elemento morfossintático que possa justificar o "emprego" do  verbo na 1a. pessoa do plural. No entanto, a ideia - de que o falante (que também é professor) mais outros docentes - equivale a nós( eu + eles). Portanto, o verbo deverá ficar na primeira pessoa do plural.


🔺🔺 Em processo de construção...

EM DIA COM O ENEM

Edição: acréscimo, em 18/4/2020

☟ ☟ Em dia com o ENEM

®Leonardo Ferreira da Silva

Questão 1 - Leia e responda:
Apesar de
Não lembro quem disse que a gente gosta de uma pessoa não por causa de, mas apesar de. Gostar daquilo que é gostável é fácil: gentileza, bom humor, inteligência, simpatia, tudo isso a gente tem em estoque na hora em que conhece uma pessoa e resolve conquistá-la. Os defeitos ficam guardadinhos nos primeiros dias e então, com a convivência, vão saindo do esconderijo e revelando-se no dia a dia. Você então descobre que ele não é apenas gentil e doce, mas também um tremendo casca-grossa quando trata os próprios funcionários. E ela não é apenas segura e determinada, mas uma chorona que passa 20 dias por mês com TPM. E que ele ronca, e que ela diz palavrão demais, e que ele é supersticioso por bobagens, e que ela enjoa na estrada, e que ele não gosta de criança, e que ela não gosta de cachorro, e agora? Agora, convoquem o amor para resolver essa encrenca. MEDEIROS, M. Revista O Globo, n. 790, 12 jun. 2011 (adaptado).

Há elementos de coesão textual que retomam informações no texto e outros que as antecipam. Nos trechos, o elemento de coesão sublinhado que antecipa uma informação do texto é:
A)    “Gostar daquilo que é gostável é fácil [...]”.
B)      “[...] tudo isso a gente tem em estoque [...]”.
C)     “[...] na hora em que conhece uma pessoa[...]”.
D)     “[...] resolve conquistá-la.”
E)      “[...] para resolver essa encrenca.”  
.....


      
®Leonardo Ferreira da Silva
.    
    Questão 2 - Leia e responda:


    Certa vez, eu jogava uma partida de sinuca, e só havia a bola sete na mesa. De modo que a mastiguei lentamente saboreando-lhe os bocados com prazer. Refiro-me à refeição que havia pedido ao garçom. Dei-lhe duas tacadas na cara. Estou me referindo à bola. Em seguida, saí montando nela e a égua, de que estou falando agora, chegou calmamente à fazenda de minha mãe. Fui encontrá-la morta na mesa, meu irmão comia-lhe uma perna com prazer e ofereceu-me um pedaço: “Obrigado”, disse eu, “já comi galinha no almoço”. Logo em seguida, chegou minha mulher e deu-me na cara. Um beijo, digo. Dei-lhe um abraço. Fazia calor. Daí a pouco minha camisa estava inteiramente molhada. Refiro-me a que estava na corda secando, quando começou a chover. Minha sogra apareceu para apanhar a camisa. Não tive remédio senão esmagá-la com o pé. Estou falando da barata que ia trepando na cadeira. Malaquias, meu primo, vivia com uma velha de oitenta anos. A velha era sua avó, esclareço. Malaquias tinha dezoito filhos, mas nunca se casou. Isto é, nunca se casou com uma mulher que durasse mais de um ano. Agora, sentado à nossa frente, Malaquias fura o coração com uma faca. Depois corta as pernas e o sangue do porco enche a bacia. Nos bons tempos passeávamos juntos. Eu tinha um carro. Malaquias tinha uma namorada. Um dia rolou a ribanceira. Me refiro a Malaquias. Entrou pela pretoria adentro arrebentando porta e parou resfolegante junto do juiz pálido de susto. Me refiro ao carro. E a Malaquias. 
                                                                    FERNANDES, M. Trinta anos de mim mesmo. São Paulo: Abril Cultural, 1973

  Nesse texto o autor reorienta o leitor no processo de leitura, usando como recurso expressões como “refiro-me/me refiro”, “estou me referindo”, “de que estou falando agora”, “digo”, “estou falando da”, “esclareço”, “isto é”. Todas elas são expressões linguísticas introdutoras de paráfrases, que servem para:
A) confirmar
B) contradizer
C) destacar
D) retificar
E) sintetizar 
...

®Leonardo Ferreira da Silva

Questão 3 - Leia e responda:

Ela é muito diva!”, gritou a moça aos amigos, com uma câmera na mão. Era a quinta edição da Campus Party, a feira deinternet que acontece anualmente em São Paulo, na última terça-feira, 7. A diva em questão era a cantora de tecnobrega Gaby Amarantos, a “Beyoncé do Pará”. Simpática, Gaby sorriu e posou pacientemente para todos os cliques. Pouco depois, o rapper Emicida, palestrante ao lado da paraense e do também rapper MV Bill, viveria a mesma tietagem. Se cenas como essa hoje em dia fazem parte do cotidiano de Gaby e Emicida, ambos garantem que isso se deve à dimensão que suas carreiras tomaram através da internet — o sucesso na rede era justamente o assunto da palestra. Ambos vieram da periferia e são marcados pela disponibilização gratuita ou a preços muito baixos de seus discos, fenômeno que ampliou a audiência para além dos subúrbios paraenses e paulistanos. A dupla até já realizou uma apresentação em conjunto, no Beco 203, casa de shows localizada no Baixo Augusta, em São Paulo, frequentada por um público de classe média alta. Disponível em: www.cartacapital.com.br. Acesso em: 28 fev. 2012 (adaptado)

As ideias apresentadas no texto estruturam-se em torno de elementos que promovem o encadeamento das ideias e a progressão do tema abordado. A esse respeito, identifica-se no texto em questão que: 
A)     a expressão “pouco depois”, em “Pouco depois, o rapper Emicida”, indica permanência de estado de coisas no mundo.
B)     o vocábulo “também”, em “e também rapper MV Bill”, retoma coesivamente a expressão “o rapper Emicida”.
C)     o conectivo “se”, em “Se cenas como essa”, orienta o leitor para conclusões contrárias a uma ideia anteriormente apresentada.
D)    O pronome indefinido “isso”, em “isso se deve”, marca uma remissão a ideias do texto.

E)     as expressões “a cantora de tecnobrega Gaby Amarantos, a ‘Beyoncé do Pará'", “ambos” e “a dupla” formam uma cadeia coesiva por retomarem as mesmas personalidades.
...
Acréscimo de três questões, em 4/4/2020.
®Leonardo Ferreira da Silva
Comentários do professor👀, em 14/4/2020.

   Questão 4 - Sobre o Modernismo, responda:





O quadro Les demoiselles d’Avignon (1907), de Pablo Picasso, representa o rompimento com a estética clássica e a revolução da arte no início do século XX. Essa nova tendência se caracteriza pela:
A)    Pintura de modelos em planos irregulares.
B)     Mulher como temática central da obra.
C)     Cena representada por vários modelos.
D)    Oposição entre tons claros e escuros.

E)     Nudez explorada como objeto de arte.
...
®Leonardo Ferreira da Silva
Comentário👀
Como se pode ver, Les Demoiselles d'Avignon (1907) é uma obra anterior ao cubismo que revolucionou a pintura moderna. Nessa tela, Pablo Picasso evidenciou cinco corpos despidos (prostitutas de um bordel de Barcelona), embora o título da tela seja traduzido como "As jovens senhoras de Avignon". Vale lembrar que Avignon é uma cidade localizada na região da Provença, no Sudeste da França. Mesmo diante dessa complexidade, o principal destaque dessa composição reside na criação de uma desarmonia. Nesse sentido, a resposta mais sensata é letra A, que apresenta pintura de modelos em planos irregulares. 
(Grandes Maestros de la Pintura, Barcelona: Ediciones Altaya, 2001.)


Questão 5 - Responda:



®Leonardo Ferreira da Silva
 Observe o quadro Abaporu, em tupi “homem que come gente”, produzido por Tarsila do Amaral, em 1928, e atualmente exposto no Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (MALBA)
O quadro de Tarsila do Amaral insere-se no movimento antropofágico (Primeira fase do Modernismo brasileiro).
A)    Por seu caráter nacionalista e ufanista, de elogio acrítico do país.
B)     Ao revelar influência do Cubismo do pintor Pablo Picasso.
C)     Ao assimilar elementos estéticos das vanguardas europeias, submetendo-os a uma reelaboração crítica em função da realidade nacional.
D)    Ao opor pelas linhas curvas como princípio organizacional.

E)     Ao inserir em sua pintura o cacto, elemento da paisagem nacional que já fora valorizado na poesia modernista de Manuel Bandeira.
......  
®Leonardo Ferreira da Silva
Comentário👀
 Motivada pelas vanguardas europeias, a obra Abaporu (1928) de Tarsila do Amaral inspirou o Manifesto Antropófago. Essa composição da artista brasileira representa, portanto, a "devoração simbólica" da cultura estrangeira. Diante do que propõe a questão 5, o movimento antropofágico não se prendia ao nacionalismo ufanista, como ocorreu no Romantismo, mas, ao contrário disso, a preocupação maior é defender um nacionalismo crítico. Logo, a melhor resposta é letra C.


Questão 6 - Leia o cartaz e responda:




®Leonardo Ferreira da Silva
O cartaz aborda a questão do aquecimento global. A relação entre os recursos verbais e não verbais nessa propaganda revela que
A)    O discurso ambientalista propõe formas radicais de resolver os problemas climáticos.
B)     A preservação da vida na Terra depende de ações de dessalinização da água marinha.
C)     A acomodação da tipografia terrestre desencadeia o natural degelo das calotas polares.
D)    O descongelamento das calotas polares diminui a quantidade de água doce potável do mundo.
E)     A agressão ao planeta é dependente da posição assumida pelo homem frente aos problemas ambientais.
Acréscimo em, 22/4/2020.
...
®Leonardo Ferreira da Silva

  Questão 7 - Leia o texto.

De noite fui ao teatro. Representava-se justamente Otelo, que eu não vira nem lera nunca; sabia apenas o assunto, e estimei a coincidência. Vi as grandes raivas do mouro, por causa de um lenço - um simples lenço! -, e aqui dou matéria à meditação dos psicólogos deste e de outros continentes, pois não me pude furtar à observação de que um lenço bastou a acender os ciúmes de Otelo e compor a mais sublime tragédia deste mundo. Os lenços perderam-se, hoje são precisos os próprios lençóis; alguma vez nem lençóis há, e valem só as camisas. Tais eram as ideias que me iam passando pela cabeça, vagas e turvas, à medida que o mouro rolava convulso, e Iago destilava a sua calúnia.
[...] O último ato mostrou-me que não eu, mas Capitu devia morrer. Ouvi as súplicas de Desdêmona, as suas palavras amorosas e puras, e a fúria do mouro, e a morte que este lhe deu entre aplausos frenéticos do público.
     - E era inocente - vinha eu dizendo rua abaixo -; que faria o público, se ela deveras fosse culpada, tão culpada como Capitu?
    (ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. São Paulo: Ática, 2006, p. 170-171)

   No trecho acima, o romance Dom Casmurro, Machado de Assis estabelece intertextualidade com a tragédia Otelo, de William Shakespeare. Releia o trecho e assinale a alternativa que aponta um dos elementos comuns às obras de Shakespeare  e Machado:

A) as duas obras apresentam adultérios cometidos com a convivência da sociedade, que ajuda o casal adúltero a manter oculto seus encontros.
B) ambos os protagonistas, Otelo e Bentinho Santiago, consideram-se vítimas de adultério.
C) nas duas narrativas, um lenço, perdido por acaso pelas heroínas, desempenha papel fundamental para a precipitação do desfecho.
D) Iago e Pádua desempenham, nas respectivas obras, o papel de maledicentes  que despertam o ciúme de seus amos.
E) as protagonistas da história, Capitu e Desdêmona, traíram seus maridos, no entanto, não podemos considerar que as punições são justas, já que elas têm o direito de amar  quem bem entendem.   

EM DIA COM O SSA - UPE

COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO
🚶 Em busca do sentido...🚶
®Leonardo Ferreira da Silva

Em dia com a  UPE -SSA - 3 


Ter mais e ter menos 


          Vários leitores me escreveram para acusar os "tempos modernos", em que ter é mais do que "ser". Hoje, o que temos nos define, à condição, claro de ostentá-lo o suficiente para que os outros saibam: constatando nossos "bens", eles reconheceriam nosso valor social.
           Essa seria a razão da cobiça de todos e, em última instância, da facilidade com a qual todos nos tornamos criminosos. A partir dessa constatação, alguns de meus correspondentes tentam explicar uma diferença entre ricos e pobres em matéria de crime. O argumento básico funciona mais ou menos assim: 1) para ser alguém, na nossa sociedade, é preciso ter e ostentar bens; 2) quem vale menos na consideração social ( o desfavorecido, o excluído, o miserável) teria um anseio maior de conquistar aqueles bens que aumentariam seu valor aos olhos dos outros.
          Em suma, precisamos ter para ser - e, se formos poco relevantes ou invisíveis socialmente, só poderemos querer ter mais e com mais urgência. À primeira vista, faz sentido. Mas, antes de desenvolver o raciocínio, uma palavra em defesa da modernidade.
          Tudo bem, uma sociedade em que as diferenças são decididas pelo "ter" (vale mais quem tem mais) pode parecer um pouco sórdida. Acharíamos mais digna uma sociedade na qual valeria mais quem "é" melhor, não que acumulou mais riquezas.
          O problema é que, em nosso passado recente, as sociedades organizadas pelo "ser" já existiram, e não foram exatamente sociedades para onde a gente voltaria alegremente - eu, ao menos, não gostaria de voltar para lá.
          Geralmente, uma sociedade organizada pelo "ser" é uma sociedade imóvel. Por exemplo, no antigo regime, você poderia nascer nobre, perder todos os bens e sua família, inclusive a honra, e continuaria nobre, porque você já era nobre. Inversamente, você podia nascer numa sarjeta urbana e enriquecer pelo seu trabalho ou pela sua sabedoria, e nem por isso você se tornaria nobre, porque você o não o era. Ou seja, em matéria de mobilidade social, as sociedades nas quais o que importa é o "ser" são sociedades lentas, se não paradas, e as sociedades nas quais o que importa é o "ter" são sociedades nas quais a mudança é possível, se não encorajada.
          É bom lembrar disso quando criticamos criticamos nossa "idolatria" consumista ou nossa vaidade. Podemos sonhar com uma sociedade organizada pelas qualidades supostamente intrínsecas a cada um (haveria os sábios, os generosos, os fortes etc.), mas a alternativa real a uma sociedade do "ter" são sociedades em que castas e dinastias exercem uma autoridade contra a qual o indivíduo não pode quase nada.
          Voltemos agora à observação de que, numa sociedade do "ter" como a nossa, os que têm menos seriam, por assim dizer, famintos - e, portanto, propensos a qualquer custo. Eles recorreriam ao crime porque sua dignidade social depende desse "ter" - para eles, ter (como navegar) é preciso.
          Agora, o combustível de uma sociedade de "ter" é uma mistura de cobiça com vaidade. Por cobiça, preferimos os bens materiais a nossas eventuais virtudes, mas essa cobiça está a serviço da vaidade. A riqueza que acumulamos não vale "em si", ela vale para ser vista e reconhecida pelos outros: é a inveja deles que afirma nossa desejada "superioridade". Em outras palavras, os bens que desejamos são indiferentes ; o que importa é o reconhecimento que esperamos receber graças a eles. Por consequência, nenhum bem pode nos satisfazer, e a insatisfação é parte integrante de nosso modelo cultural.
          Não é que estejamos insatisfeitos porque nos falta alguma coisa (aí seria fácil, bastaria encontrá-la). Somos ( e não estamos) insatisfeitos porque o reconhecimento dos outros é imaterial, difícil de ser médio e nunca suficiente. A procura por bens é infinita ou, no mínimo, indefinida, como é indefinida a procura pelo reconhecimento dos outros.
          Os bens que conquistamos (roubando ou não, tanto faz) não estabelecem nenhum "ser", apenas alimentam, por um instante, um olhar que gratificaria nossa vaidade. Não existe uma acumulação a partir da qual nós nos sentiríamos ao menos parcialmente acalmados em nossa busca por esse reconhecimento. Ao contrário, é provável que a cobiça e a vaidade cresçam com o ter. Ou seja, é bem possível que a tentação do crime seja maior para quem tem mais do que para quem tem menos.

Contardo Calligaris. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/contardocalligaris/2015/05/1634384-ter-mais-e-ter-menos.shtml. Acesso em: 27/6/15. Adaptado.
®Leonardo Ferreira da Silva
Questão 1 - O autor do texto (Ter mais e ter menos) defende, fundamentalmente, a ideia de que:
A) nos tempos atuais, quem exibe bens materiais consegue obter mais vantagens e prestígio social.
B) os mais pobre desejam conquistar bens materiais a fim de atender as suas necessidades básicas.
C) quem recorre ao crime para obter bens deveria ter justificadas as suas ações ilegais, visto que apenas anseia por dignidade.
D) para se tornarem mais dignos, os cidadãos deveriam valorizar mais o "ser" do que o "ter".
E) a busca pelo "ter", na verdade" é uma busca pelo "ser" e está fadada ao fracasso, porque o "ser" é intangível.
®Leonardo Ferreira da Silva
Questão 2 - Para desconstruir a ideia amplamente difundida de que "vale mais quem 'é' melhor, não quem acumula mais riquezas", o autor utiliza o seguinte argumento:
A) a vontade de querer ter mais está relacionada a um desejo profundo de ser aceito pelo outro.
B) as sociedades que defendem o "ter" em detrimento do "ser" devem ser consideradas indignas.
C) as sociedades orientadas pelo "ser" costumam manter-se estagnadas, sem permitir a ascensão de outros membros.
D) o sonho de uma sociedade organizada, conforme as qualidades de seus membros, levaria à suspensão da 'idolatria consumista'.
E) a conquista de bens materiais é importante, porque permite que cheguemos ao que realmente importa: o "ser".