segunda-feira, 24 de agosto de 2020

REALISMO e NATURALISMO

👉ENSINO MÉDIO - 2os. ANOS 

REALISMO/NATURALISMO 

SEMINÁRIOS 

          Da forma como planejamos, iniciaremos as apresentações dos seminários sobre importantes títulos do Realismo/Naturalismo.  


Figura 1 - Imagem de apresentação com foto de tela de Jean-François Millet como plano de fundo

          

          Como tenho defendido em minhas aulas, vale salientar a importância das artes plásticas para o nosso estudo. Dessa forma, quando tratamos de Realismo/Naturalismo, é fundamental destacar a obra de alguns artistas como: Jean-François Millet, George Clausen, Gustave Courbet, Marques de Oliveira e outros. Nesse sentido, lembro as palavras de Pereira (2009, p. 359):

A escrita sempre pressupôs a imagem, mesmo anteriormente à sua fonetização, como, por exemplo, nos primitivos desenhos das cavernas, que ainda não obedeciam a nenhum código de representação gráfica, ou na escrita egípcia e chinesa com os seus ideogramas, que se afastam do figurativo.

          Nessa visão mesma, quero frisar a relevância da perspectiva plástica na interface com a icônica. Para ser mais claro, Silva (2018, p. 131) esclarece que "o signo plástico está associado a um índice ou a um símbolo", ao passo que, "o signo icônico é aquele que o significante (estímulo visual) está vinculado a um referente (objeto particular que se pode ter uma experiência visual)..."           

         No campo das letras, Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) introduz o Realismo no Brasil com seu livro Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881).  

            Neste percurso inicial, vale a pena elencar parte da bibliografia de Machado de Assis, vejamos:

1864 - Crisálidas.

1872 - Ressurreição.

1873 - Histórias da Meia-Noite.

1874 - A Mão e a Luva.

1875 - Americanas.

1876 - Helena 

1878 - Iaiá Garcia

1881 - Tu só, tu, Puro Amor e Memórias Póstumas de Brás Cubas (como já mostrei acima).

1882 - Papéis Avulsos.

1884 - Histórias sem Data.

1886 - Banquete das Crisálidas.

1891 - Quincas Borba.

1896 - Várias Histórias .

1899 - Páginas Recolhidas e Dom Casmurro.

1901 - Poesias Completas. 

1904 - Esaú e Jacó

1906 - Relíquias da Casa Velha.

1908 - Memorial de Aires


          Para os seminários, apresento as seguintes sugestões:



                           Figura 2 - Imagem com capas de livros de autoria de Machado de Assis

           No caso do Naturalismo, destaco a publicação de O Mulato, de Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo (1857-1913), como obra introdutório desse estilo de época. 

Outras publicações:

1884 - Memórias de um Condenado

1890 - O Cortiço

1894 - Casa de Pensão

1938 - O Touro Negro (crônica)


          Para os seminários, sugiro os títulos abaixo:


Figura 3 - Imagem com capas de livros de autoria de Aluísio Azevedo



          Na sequência, ressalto o livro Ateneu (publicado em 1888), de Raul D'Ávila Pompeia (1863-1895). Tendo em vista a relevância da obra, prefiro comentar por último, porque, como bem destaca Cereja (2009, p. 314), "as diferentes classificações atribuídas à obra, tais como realista, naturalista, psicologista, parnasiana, evidenciam sua complexidade e singularidade". Nesse sentido, ofereço mais um título de enorme prestígio na literatura brasileira. 
             A seguir, exponho a imagem da capa do livro O Ateneu:



Figura 4 - Imagem de capa de livro de autoria de Raul Pompeia


            Para as apresentações dos seminários, os estudantes deverão seguir a mesma dinâmica da unidade passada, quando tratamos da prosa no Romantismo. Assim, os trabalhos podem ser expostos em grupo (ou individualmente) na videoconferência de terça-feira 25/8/2020



Figura 5 - Imagem de formulário de inscrição


Referências


BOSI. Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Coltrix, 1977. 

CEREJA, William Roberto. Literatura Brasileira: em diálogo com outras literaturas e outras linguagens. São Paulo: Atual, 2009.

PEREIRA,  Nice M. Literatura, ilustração e o livro ilustrado. In BONNICI, T.; ZOLIN, L. O (Orgs.) Teoria Literária: Abordagens Históricas e Tendências Contemporâneas. 3 ed. Maringá: UEM, 2009.

SILVA, Leonardo Ferreira da. Linguagem visuoverbal: letramento, ensino e produção de sentido. Olinda: Livro Rápido, 2018.



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🙋     AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA  LITERATURA

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01. (Unifesp-2003) A questão a seguir baseia-se no seguinte fragmento do romance O cortiço (1890), de Aluísio Azevedo (1857-1913).

O cortiço

Fechou-se um entra-e-sai de marimbondos defronte daquelas cem casinhas ameaçadas pelo fogo. Homens e mulheres corriam de cá para lá com os tarecos ao ombro, numa balbúrdia de doidos. O pátio e a rua enchiam-se agora de camas velhas e colchões espocados. Ninguém se conhecia naquela zumba de gritos sem nexo, e choro de crianças esmagadas, e pragas arrancadas pela dor e pelo desespero. Da casa do Barão saíam clamores apopléticos; ouviam-se os guinchos de Zulmira que se espolinhava com um ataque. E começou a aparecer água. Quem a trouxe? Ninguém sabia dizê-lo; mas viam-se baldes e baldes que se despejavam sobre as chamas.

Os sinos da vizinhança começaram a badalar.

E tudo era um clamor.

A Bruxa surgiu à janela da sua casa, como à boca de uma fornalha acesa. Estava horrível; nunca fora tão bruxa. O seu moreno trigueiro, de cabocla velha, reluzia que nem metal em brasa; a sua crina preta, desgrenhada, escorrida e abundante como as das éguas selvagens, dava-lhe um caráter fantástico de fúria saída do inferno. E ela ria-se, ébria de satisfação, sem sentir as queimaduras e as feridas, vitoriosa no meio daquela orgia de fogo, com que ultimamente vivia a sonhar em segredo a sua alma extravagante de maluca.

Ia atirar-se cá para fora, quando se ouviu estalar o madeiramento da casa incendiada, que abateu rapidamente, sepultando a louca num montão de brasas.

(Aluísio Azevedo. O cortiço)

Em O cortiço, o caráter naturalista da obra faz com que o narrador se posicione em terceira pessoa, onisciente e onipresente, preocupado em oferecer uma visão crítico-analítica dos fatos. A sugestão de que o narrador é testemunha pessoal e muito próxima dos acontecimentos narrados aparece de modo mais direto e explícito em:

a) Fechou-se um entra-e-sai de marimbondos defronte daquelas cem casinhas ameaçadas pelo fogo.

b) Ninguém sabia dizê-lo; mas viam-se baldes e baldes que se despejavam sobre as chamas.

c) Da casa do Barão saíam clamores apopléticos...

d) A Bruxa surgiu à janela da sua casa, como à boca de uma fornalha acesa.

e) Ia atirar-se cá para fora, quando se ouviu estalar o madeiramento da casa incendiada...

02. (ENEM-2001) No trecho abaixo, o narrador, ao descrever a personagem, critica sutilmente um outro estilo de época: o romantismo.

“Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos; era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça, e, com certeza, a mais voluntariosa. Não digo que já lhe coubesse a primazia da beleza, entre as mocinhas do tempo, porque isto não é romance, em que o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas; mas também não digo que lhe maculasse o rosto nenhuma sarda ou espinha, não. Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, que o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação.”

(ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Jackson,1957.)

A frase do texto em que se percebe a crítica do narrador ao romantismo está transcrita na alternativa:

a) ... o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas ...

b) ... era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça ...

c) Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, ...

d) Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos ...

e) ... o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação.

03. (PUC - PR-2007) Sobre o Realismo, assinale a alternativa INCORRETA.

a) O Realismo surgiu na Europa, como reação ao Naturalismo.

b) O Realismo e o Naturalismo têm as mesmas bases, embora sejam movimentos diferentes.

c) O Realismo surgiu como consequência do cientificismo do século XIX.

d) Gustave Flaubert foi um dos precursores do Realismo. Escreveu Madame Bovary.

e) Emile Zola escreveu romances de tese e influenciou escritores brasileiros.

04) (FMTM-2002) Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas.

Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada, sete horas de chumbo. (...)

Daí a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente; uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns, após outros, lavavam a cara, incomodamente, debaixo do fio de água que escorria da altura de uns cinco palmos. O chão inundava-se. As mulheres precisavam já prender as saias entre as coxas para não as molhar; via-se-lhes a tostada nudez dos braços e do pescoço, que elas despiam suspendendo o cabelo todo para o alto do casco; os homens, esses não se preocupavam em não molhar o pelo, ao contrário metiam a cabeça bem debaixo da água e esfregavam com força as ventas e as barbas, fossando e fungando contra as palmas da mão. As portas das latrinas não descansavam, era um abrir e fechar de cada instante, um entrar e sair sem tréguas. Não se demoravam lá dentro e vinham ainda amarrando as calças ou as saias; as crianças não se davam ao trabalho de lá ir, despachavam-se ali mesmo, no capinzal dos fundos, por detrás da estalagem ou no recanto das hortas.

No Naturalismo, época literária a que pertenceu Aluísio Azevedo, o homem é visto

a) de forma negligente e egocêntrica, preocupado apenas com o próprio bem-estar.

b) de forma atuante, responsável pela transformação do mundo em que vive.

c) de forma idealista e romântica, alheio a tudo que acontece a seu redor.

d) como responsável pelas condições do meio em que vive e capaz de melhorá-lo.

e) como fruto do meio em que vive, sujeito a influências que escapam a seu controle.

05) (UEMG-2007) Assinale a alternativa em que se identificou CORRETAMENTE elementos estruturais do romance Dom Casmurro.

a) A obra apresenta um texto em terceira pessoa, em que o protagonista central, Bentinho, é abandonado por Capitu, em virtude dos ciúmes exagerados desta.

b) O narrador de primeira pessoa escreve o romance, buscando a ilusão de resgatar o seu passado através de sensações revivenciadas no presente, tentando explicar a sua “casmurrice” e, com ela, a sua própria vida.

c) O romance é narrado em primeira pessoa por D.Casmurro, que deseja registrar, memorialisticamente, o seu passado glorioso e cheio de atos dignos de serem revivenciados.

d) A narração do romance obedece ao único propósito de registrar os momentos felizes de Bentinho, vivenciados ao lado de Capitu, o que explica, em parte, a tendência do narrador pelas minúcias e pelo detalhismo.

06. (UEL-2006) Capítulo de Quincas Borba (1892), de Machado de Assis (1839-1908).

Rubião fitava a enseada, - eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa.

Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade.

- Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas, pensa ele. Se mana Piedade tem casado com Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui está tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça...

(ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Quincas Borba. Rio de Janeiro: Jackson, 1959. p. 7.)

Com base no primeiro parágrafo do texto, considere as afirmativas a seguir.

I. O narrador, no presente, dirige suas palavras ao leitor de seu texto, conforme se pode deduzir do emprego de “vos digo”.

II. As palavras do narrador dizem respeito a um momento de meditação de Rubião sobre sua mudança de classe social, momento este do qual o narrador onisciente tem pleno conhecimento.

III. O emprego de “olha” e “entra” no tempo presente reflete o apego que o protagonista tem à sua nova condição econômica, tentando esquecer o passado.

IV. “Visse” e “cuidaria” aí estão para registrar uma possibilidade de interpretação que, na verdade, condiz com o que realmente é relatado pelo narrador.

Estão corretas apenas as afirmativas:

a) I e II.

b) I e IV.

c) III e IV.

d) I, II e III.

e) II, III e IV.

07) (UEPB-2006) Considere o fragmento final de O alienista:

Mas o ilustre médico, com os olhos acesos da convicção científica, trancou os ouvidos à saudade da mulher, e brandamente a repeliu. Fechada a porta da Casa Verde, entregou-se ao estudo e à cura de si mesmo. Dizem os cronistas que ele morreu dali a dezessete meses, no mesmo estado em que entrou, sem ter podido alcançar nada.

Alguns chegam ao ponto de conjeturar que nunca houve outro louco além dele em Itaguaí; mas esta opinião, fundada em um boato que correu desde que o alienista expirou, não tem outra prova senão o boato; e boato duvidoso, pois é atribuído ao padre Lopes, que com tanto fogo realçara as qualidades do grande homem. Seja como for, efetuou-se o enterro com muita pompa e rara solenidade.

Assinale a proposição que NÃO condiz com o excerto citado.

a) A referência a um boato duvidoso lembra um traço marcante da prosa de Machado de Assis e que se constitui num dos pontos centrais de toda a sua obra: a elipse. A elipse, ao deixar “espaços de incerteza”, algo por dizer, como lembra todo leitor do Dom Casmurro, possibilita ao escritor romper com o cientificismo dos naturalistas na própria estrutura do texto.

b) O fragmento citado demonstra a crítica e ironia de Machado de Assis contra aqueles que, a exemplo de “Simão Bacamarte”, erigem verdades fechadas e absolutas como modelos de ação e controle psíquico-social.

c) O fragmento citado traz a linguagem direta e em muitos aspectos cotidiana da prosa de Machado de Assis, que participou ativamente dos ambientes de escrita de seu tempo, de revistas de moda a jornais, sem, contudo, abdicar de uma profunda consciência da literatura e do homem.

d) O fragmento acima demonstra que, numa sociedade como a nossa, cheia de contradições e ainda pouco capaz de dar cidadania efetiva aos seus cidadãos, a atitude do intelectual, como “Simão Bacamarte” (e, por extensão, o próprio Machado de Assis), só pode ser a de primeiro resolver seus próprios problemas pessoais para só depois pensar na sociedade como um todo. Demonstra que os intelectuais do Realismo chegaram à conclusão de que os românticos, que se preocupavam sobretudo com o indivíduo, tinham razão.

e) O fragmento final d’O alienista revela o tom “decadente” e pessimista que está na maioria dos textos significativos de Machado de Assis e que o situam como um dos precursores do Simbolismo no Brasil. O decadentismo machadiano, a que diversos críticos literários chamaram atenção, pode ser observado também nos fragmentos finais de Memórias póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro e Quincas Borba, e em contos como A causa secreta, Cantiga de esponsais e Pai contra mãe.

08. (FGV-2006) Leia o texto abaixo.

Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos. Meu pai, logo que teve aragem dos onze contos, sobressaltou-se deveras; achou que o caso excedia as raias de um capricho juvenil.

- Desta vez, disse ele, vais para a Europa; vais cursar uma universidade, provavelmente Coimbra; quero-te para homem sério e não para arruador e gatuno. E como eu fizesse um gesto de espanto:

- Gatuno, sim senhor. Não é outra coisa um filho que me faz isto...

Sacou da algibeira os meus títulos de dívida, já resgatados por ele, e sacudiu-mos na cara. - Vês, peralta? É assim que um moço deve zelar o nome dos seus? Pensas que eu e meus avós ganhamos o dinheiro em casas de jogo ou a vadiar pelas ruas? Pelintra! Desta vez ou tomas juízo, ou ficas sem coisa nenhuma.

Machado de Assis

Principalmente a partir da publicação dessa obra, duas características passam a ser reconhecidas no estilo de seu autor. Assinale a alternativa que as contém.

A) Ambiguidade e delicadeza na descrição dos caracteres.

B) Humor escancarado e crítica à família tradicional brasileira.

C) Ironia e análise da condição humana.

D) Crítica ao comportamento do indivíduo como sujeito e não como objeto da sociedade.

E) Análise da alma do indivíduo, desconsiderando a sociedade.

09. (Fuvest-2005) “Assim, pois, o sacristão da Sé, um dia, ajudando à missa, viu entrar a dama, que devia ser sua colaboradora na vida de Dona Plácida. Viu-a outros dias, durante semanas inteiras, gostou, disse-lhe alguma graça, pisou--lhe o pé, ao acender os altares, nos dias de festa. Ela gostou dele, acercaram-se, amaram-se. Dessa conjunção de luxúrias vadias brotou Dona Plácida. É de crer que Dona Plácida não falasse ainda quando nasceu, mas se falasse podia dizer aos autores de seus dias: - Aqui estou. Para que me chamastes? E o sacristão e a sacristã naturalmente lhe responderiam: - Chamamos-te para queimar os dedos nos tachos, os olhos na costura, comer mal, ou não comer, andar de um lado para outro, na faina, adoecendo e sarando, com o fim de tornar a adoecer e sarar outra vez, triste agora, logo desesperada, amanhã resignada, mas sempre com as mãos no tacho e os olhos na costura, até acabar um dia na lama ou no hospital; foi para isso que te chamamos, num momento de simpatia”.

(Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas)

A vida de Dona Plácida, referida no excerto, é muito semelhante à vida de trabalhos duros e incessantes de Juliana (O primo Basílio), com a diferença de que a personagem de Eça de Queirós

a) não mais se fiava no favor dos patrões, passando a arquitetar um plano astucioso, embora indigno, para emancipar-se.

b) não era uma agregada, como Dona Plácida, mas uma criada, condição que a tornava ainda mais desprovida de direitos legais.

c) pautava sua conduta por uma rígida moral puritana, que a fazia revoltar-se contra os amores adúlteros da patroa.

d) tinha menos motivos para revoltar-se, tendo em vista a consideração de que gozava na casa dos patrões.

e) não temia miséria nem desamparo e, por isso, enfrentava os patrões de modo aberto e corajoso.

10. (Fuvest-2004) Texto para a questão a seguir

Uma flor, o Quincas Borba. Nunca em minha infância, nunca em toda a minha vida, achei um menino mais gracioso, inventivo e travesso. Era a flor, e não já da escola, senão de toda a cidade. A mãe, viúva, com alguma cousa de seu, adorava o filho e trazia-o amimado, asseado, enfeitado, com um vistoso pajem atrás, um pajem que nos deixava gazear a escola, ir caçar ninhos de pássaros, ou perseguir lagartixas nos morros do Livramento e da Conceição, ou simplesmente arruar, à toa, como dous peraltas sem emprego. E de imperador! Era um gosto ver o Quincas Borba fazer de imperador nas festas do Espírito Santo. De resto, nos nossos jogos pueris, ele escolhia sempre um papel de rei, ministro, general, uma supremacia, qualquer que fosse. Tinha garbo o traquinas, e gravidade, certa magnificência nas atitudes, nos meneios. Quem diria que… Suspendamos a pena; não adiantemos os sucessos. Vamos de um salto a 1822, data da nossa independência política, e do meu primeiro cativeiro pessoal.

(Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas)

É correto afirmar que as festas do Espírito Santo, referidas no excerto, comparecem também em passagens significativas de

a) Memórias de um sargento de milícias, onde contribuem para caracterizar uma religiosidade de superfície, menos afeita ao sentido íntimo das cerimônias do que ao seu colorido e pompa exterior.

b) O primo Basílio, tornando evidentes, assim, as origens ibéricas das festas religiosas populares do Rio de Janeiro do século XIX.

c) Macunaíma, onde colaboram para evidenciar o sincretismo luso-afro-ameríndio que caracteriza a religiosidade típica do brasileiro.

d) Primeiras estórias, cujos contos realizam uma ampla representação das tendências mágico-religiosas que caracterizam o catolicismo popular brasileiro.

e) A hora da estrela, onde servem para reforçar o contraste entre a experiência rural-popular de Macabéa e sua experiência de abandono na metrópole moderna.

11. (Faap-1996) OLHOS DE RESSACA

Enfim, chegou a hora da encomendação e da partida. Sancha quis despedir-se do marido, e o desespero daquele lance consternou a todos. Muitos homens choravam também, as mulheres todas. Só Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma. Consolava a outra, queria arrancá-la dali. A confusão era geral. No meio dela, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas...

As minhas cessaram logo. Fiquei a ver as dela; Capitu enxugou-as depressa, olhando a furto para a gente que estava na sala. Redobrou de carícias para a amiga, e quis levá-la; mas o cadáver parece que a retinha também. Momentos houve que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto nem palavras desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã.

Machado de Assis

Texto extraído do romance:

a) "Memórias Póstumas de Brás Cubas"

b) "Dom Casmurro"

c) "Quincas Borba"

d) "Esaú e Jacó"

e) "Memorial de Aires"

12. (Fuvest-2003) Tanto Luísa (O primo Basílio) quanto Virgília (Memórias póstumas de Brás Cubas) praticaram o

adultério

a) por influência direta do excesso de leituras romanescas.

b) com parentes próximos, o que tornava mais grave a situação moral de ambas.

c) com o fim de ascender socialmente, unindo-se a parceiros de classe social mais elevada.

d) por sua própria iniciativa, seduzindo abertamente seus respectivos parceiros.

e) com antigos namorados, que reencontraram depois de casadas

13. (UFSE-1997) A originalidade do ponto de vista do narrador de MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS permitiu que Machado de Assis escrevesse um romance.

a) de caráter fantástico, no qual pôde desenvolver sua aptidão para a literatura com fundamentos surrealistas.

b) essencialmente irônico, ao mesmo tempo em que dotava o narrador de uma distância crítica incontestável.

c) em terceira pessoa, contrariando a índole confessional que marcara toda a sua ficção anterior.

d) realista, a partir de um narrador que tudo observara e documentara em páginas só publicáveis depois de sua morte.

e) satírico-histórico, cujo argumento remontava ao tempo das capitanias hereditárias, no Brasil colonial.

14. (FEI-1995) Leia com atenção:

"Em seu último romance, Machado de Assis revela-nos uma outra face. O romancista espiritualiza-se, afastando-se da análise das desgraças humanas. Sensíveis mutações ocorrem, então, em seu espírito, refletindo desprendimento e abnegação. Reconhece-se no casal Aguiar e D. Carmo o próprio romancista e D. Carolina, acentuando a coincidência das iniciais: Aguiar e Assis, Carmo e Carolina, além dos traços autobiográficos na descrição do casal harmônico".

Trata-se do romance:

a) "Quincas Borba"

b) "Esaú e Jacó"

c) "Ressurreição"

d) "D. Casmurro"

e) "Memorial de Aires"

15. (Mack-2002) Assinale a alternativa INCORRETA sobre o estilo de Machado de Assis.

a) Sua linguagem irônica e sarcástica está relacionada à quebra de valores absolutos.

b) A linguagem metafórica, usada com frequência, concretiza conceitos e juízos de valor.

c) Realizou rupturas na organização linear do texto narrativo, impondo outra lógica à sequência de capítulos.

d) Utilizou-se com frequência da metalinguagem, fazendo referências ao próprio ato de narrar.

e) A ruptura com a tradição literária deu origem a um estilo irreverente, afastado da norma culta.

16. (Fuvest-2000) Óbito do autor

Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo.

(Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas, capítulo primeiro)

Considerando-se este fragmento no contexto da obra a que pertence, é correto afirmar que, nele,

a) o discurso argumentativo, de tipo racional e lógico, apresenta afirmações que ultrapassam a razão e o senso comum.

b) a combinação de hesitações e autocrítica já caracteriza o tom de arrependimento com que o defunto autor relatará sua vida improdutiva.

c) as hesitações e dúvidas revelam a presença de um narrador inseguro, que teme assumir a condução da narrativa e a autoridade sobre os fatos narrados.

d) as preocupações com questões de método e as reflexões de ordem moral mostram um narrador alheio às meras questões literárias, tais como estilo e originalidade.

e) as considerações sobre o método e sobre a lógica da narração configuram o modo característico de se iniciar o romance no Realismo.

17 (PUC-SP-2001) O conto “A Cartomante” integra a obra Várias Histórias de Machado de Assis. Dele é incorreto afirmar que

a) se desenvolve a partir da afirmação de Horácio de que há mais coisas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia.

b) apresenta um triângulo amoroso no qual Rita, casada com Vilela, o atrai com o amigo Camilo.

c) caracteriza a personagem feminina como uma dama formosa e tonta e mostra-a insinuante como uma serpente.

d) apresenta um final feliz já que a previsão da cartomante sobre o amor dos dois realiza-se plenamente.

e) se trata de uma narrativa tradicional com estrutura bem definida, conduzindo a história para um clímax inesperado, o chamado elemento surpresa.

18. (ITA-2000) Sobre O Ateneu, de Raul Pompeia, NÃO se pode afirmar que:

a) o colégio Ateneu reflete o modelo educacional da época, bem como os valores da sociedade

da época.

b) o romance é narrado num tom intimista, em terceira pessoa.

c) a narrativa expressa um tom de ironia e ressentimento.

d) as pessoas são descritas, muitas vezes, de forma caricatural.

e) são comuns comparações entre pessoas e animais.

19.  (UFMG-1998) No romance O Ateneu, de Raul Pompeia, o personagem Aristarco, que apresenta um "vaivém de atitudes", é visto como portador de uma "individualidade dupla". Todas as alternativas contêm trechos do romance em que Aristarco passa de uma atitude a outra, exceto:

a) Quando meu pai entrou comigo havia no semblante de Aristarco uma pontinha de aborrecimento. (...) Mas a sombra de despeito apagou-se logo, como o resto de túnica que apenas tarda a sumir se numa mutação à vista; e foi com uma explosão de contentamento que o diretor nos acolheu.

b) Aristarco, que consagrava as manhãs ao governo financeiro do colégio, conferia, analisava os assentamentos do guarda-livros. De momento a momento entravam alunos. Alguns acompanhados. A cada entrada, o diretor lentamente fechava o livro comercial, (...) oferecendo episcopalmente a mão peluda ao beijo contrito e filial dos meninos.

c) (...) viam-no (Aristarco) formidável, com o perfil leonino rugir (...) sobre outro (aluno) que tinha limo nos joelhos de haver lutado em lugar úmido, gastando tal veemência no ralho, que chegava a ser carinhoso.

d) A cadeira girava de novo à posição primitiva; o livro da escrituração espalmava outra vez as páginas enormes; e a figura paternal do educador desmanchava-se volvendo a simplificar se na esperteza atenta e seca do gerente.

 


quinta-feira, 20 de agosto de 2020

LÍNGUA PORTUGUESA

 LÍNGUA PORTUGUESA - GRAMÁTICA, INTERPRETAÇÃO, COMPREENSÃO E LIÇÕES PARA A VIDA   -  20/8/2020

Atenção! Em processo de construção e revisão.

Figura 1 - Convite para a videoconferência 

VIDEOCONFERÊNCIA 008 - 3os. A e B 

PARA RECORDAR ...              

          Nas duas horas de videoconferência de hoje (quarta-feira, 20/8/2020 com início às 14h), tratei da SINTAXE DO PERÍODO COMPOSTO. Em especial, aprofundei o estudo sobre ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS. Para isso, enviei para a plataforma Google Classroom (em 18/8/2020, às 7h30, portanto, com antecedência considerável) uma proposta para os estudantes que versa sobre o tema transversal “CULTURA DO CANCELAMENTO”. Diante disso, esclareci no roteiro encaminhado que os estudantes deveriam enviar, individualmente, dois períodos compostos por subordinação a partir da proposta sugerida. Nessa mesma atividade, orientei que os estudantes redigissem as orações tendo por base os princípios éticos e total respeito aos Direitos Humanos.  Na sequência, recebi as atividades programadas, fiz as devidas correções e comentários e as reencaminhei.

        Em outra fase do processo, iniciei a aula com a audição da canção "Terra de Gigantes", dos Engenheiros do Hawaii (vale lembrar que a canção em análise fui usada como proposta de redação, no Sistema Seriado de Avaliação da Universidade de Pernambuco, em 2019). Em seguida, apresentei a dinâmica da aula e mostrei os detalhes da abordagem sobre o tema transversal supracitado (isto é, CULTURA DO CANCELAMENTO). Tal escolha está baseada na relevância do tema para a atualidade. Por isso mesmo, acredito que esse assunto poderá ser explorado no Sistema Seriado de Avaliação da UPE, no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) ou em avaliações como do Sistema de Avaliação Educacional de Pernambuco (SAEPE) e como do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB). 

Agora, passo a expor a minha abordagem:

          A canção "Terra de Gigantes" foi composta por Humberto Gessinger e teve seu 'lançamento' ao público em 1987. Para o nosso estudo, chama atenção a 'atemporalidade' dessa composição, desde que sejam guardadas as devidas proporções. Em primeiro lugar, o eu lírico mantém um monólogo direcionado a própria mãe. Vale destacar o constante uso do vocativo, na expressão: “Hey, mãe”, que revela a dependência do eu lírico ao abrigo materno, ao longo da fase que, provavelmente, vai da adolescência à juventude. Assim, o eu poemático expõe que tem "uma guitarra elétrica". Ao afirmar isso, o eu lírico revela um significado importante desse instrumento. Em outras palavras, ter uma guitarra, à época, confere ao eu lírico status de um moço com poder aquisitivo melhor do que o da maioria dos brasileiros de sua faixa etária. Ao mesmo tempo, ter uma guitarra e participar de uma banda é projetar-se na fantasia estadunidense. Os seus amigos, igualmente, não manifestam qualquer compromisso com as questões da realidade (como: as discussões em torno da educação, da moradia, da saúde etc.), porque são descomedidos. Para o eu lírico, “a juventude é uma banda/ numa propaganda de refrigerante”. Ou seja, os jovens caricatos seriam indiferentes aos assuntos que transitam livremente ao longo de séculos no contexto brasileiro. Em outro fragmento, destaco "tem uns amigos tocando comigo/ eles são legais, além do mais/ não querem nem saber" (grifo meu). Como os jovens de hoje veem isso? Continua o eu lírico com seu discurso fatalista e temerário: "nessa terra de gigantes/ eu sei, já ouvimos tudo isso antes". Aqui, a palavra "gigantes" pode, pelo menos, representar aqueles que detém o poder econômico ou político e, por outro lado, pode representar o medo da criança que habita nesse jovem. Por isso mesmo, incessantemente, ele recorre ao "colo materno". Para o eu lírico, a realidade é tão forte, que ele não quer encará-la. Por isso mesmo esse eu poemático diz: "só me acorda quando o sol tiver se posto". 

[...]

          Nesse sentido, objetivo em minhas aulas provocar reflexões sobre o uso efetivo da linguagem no plano sociointerativo, para que cada discente possa ser capaz de fazer uma leitura crítica do mundo. Muito mais do que isso, espero que cada um “rejeite o automatismo e assuma autonomia”. Ao confrontar a atitude do eu lírico com o jovem do século XXI, mostrei que muitos sonham com smartphone (nesse momento, mostrei uma matéria de capa da revista Superinteressante sobre a dependência de muitos jovens ao equipamento). Dessa revista, destaquei a seguinte passagem: "4 bilhões de pessoas têm um (smartphone) - e o tiram do bolso mais de 200 vezes por dia...". Neste ponto específico da aula, estabeleci uma relação entre o comportamento do jovem do passado na interface com a juventude do século XXI (conforme a canção o jovem tem uma guitarra, porém, na atualidade, um smartphone). Em outro momento, levantei questões a fim de que os estudantes se posicionassem sobre o assunto. Para complementar, citei "a solidão por trás da porta fechada de um quarto com um telefone celular à mão pode parecer uma condição menos arriscada e mais segura do que compartilhar o terreno doméstico comum" (BAUMAN, 2004, p. 85). Para aprofundar esse aspecto, fui pouco a pouco aproximando o assunto da problemática da convivência no espaço virtual. Em seguida, contextualizei o problema da "CULTURA DO CANCELAMENTO" e aproveitei o ensejo para solicitar a leitura das frases que os próprios estudantes redigiram. Nesse estágio da aula, os estudantes leram, classificaram do ponto de vista gramatical e comentaram as razões de terem desenvolvido tais enunciados. 

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Dentro do contexto, os estudantes leram ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS: causais, concessivas, consecutivas, temporais e finais.

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          À medida que as frases eram lidas, eu apresentava slides com explicações teóricas sobre a sintaxe do período composto e intercalava com questões comuns ao Sistema Seriado de Avaliação (SSA) da Universidade de Pernambuco e ao Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). 

      A seguir, é possível acompanhar a síntese da relação entre passado e presente a partir da comparação entre a figura do jovem na canção frente ao comportamento atual dos jovens tal como aparece na reportagem:



Figura 2 - Síntese em forma de mapa conceitual 



          No fim da aula, citei uma passagem de David Foster Wallace:

"Dois peixinhos estão nadando juntos e cruzam com um peixe mais velho, nadando em sentido contrário. Ele os cumprimenta e diz: 

- Bom dia, meninos. Como está a água?

Os dois peixinhos nadam mais um pouco até que um deles olha para o outro e pergunta:

- Água? Que diabo é isso?

          Não se preocupe, não pretendo me apresentar a vocês como o peixe mais velho e sábio. O ponto central da história é que a realidade mais óbvia, ubíqua e vital costuma ser mais difícil de ser reconhecida".


Considerações finais         

          Portanto, convém advertir que, na aula de hoje, a minha preocupação se pautou em trazer uma reflexão geral sobre o jovem "ontem" e "hoje".  Quer dizer, como os jovens se comportavam no fim do século XX e como se comportam nesta segunda década do século XXI, a partir de uma análise sociológica e filosófica. Com isso, esta abordagem não se direciona a grupos específicos, mas engloba um estudo geral no domínio nacional. Nesse contexto, levantei questões sobre a "Cultura do cancelamento", que estão relacionadas à "dependência virtual" e à ausência de postura crítica. 

          Nesse sentido, na aula de hoje, observei que os estudantes fizeram uma leitura crítica de mundo, levantaram questionamentos embasados em uma pesquisa séria e produziram enunciados escritos dentro do contexto.   Assim, estudamos a SINTAXE DO PERÍODO COMPOSTO sem nos prendermos ao ensino tradicional estéril, que se circunscreve ao "certo" e ao "errado" ou à memorização de exemplos isolados. 

          No que concerne ao Sistema Seriado de Avaliação (SSA) da UPE e outros certames, trabalhei os seguintes tópicos do programa (na análise de elementos da argumentação em gêneros diversos): (i) a tese e seus argumentos de sustentação e/refutação; (ii) os mecanismos enunciativos (formas de agenciamento de diferentes pontos de vista na textualização, uso dos elementos de modalização); (iii) os conectivos e expressões com valor argumentativo; (iv) a organização e progressão temática; (v) o tema central de um texto e outros. Vale lembrar que esses itens são igualmente contemplados no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e atendem às exigências do Sistema de Avaliação Educacional de Pernambuco (SAEPE) e do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB). 

       Por fim, preciso frisar que reconheço o excelente desempenho dos estudantes envolvidos, bem como parabenizo a todas e a todos a participação intensa e efetiva na produção escrita, na interação e na exposição de ideias. 

Referências 

BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Zahar, 2004.

BECHARA, Evanildo. Gramática escolar da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010.

CEREJA, Willian Roberto. Português: linguagens 3. São Paulo: Atual, 2012.

HOUAISS, Antônio. Pequeno dicionário da língua portuguesa. São Paulo: Moderna, 2015.

VERSIGNASSI, Alexandre. Smartphone: o novo cigarro. Superinteressante. São Paulo: vol.?, no. 408, set. 2019. 

WALLACE, David Foster. Oblivion: Stories. New York; Boston: Little Brown and Company; Back Bay Books, 2004.


Até a próxima aula!




 LÍNGUA PORTUGUESA - GRAMÁTICA, INTERPRETAÇÃO, COMPREENSÃO E LIÇÕES PARA A VIDA   -  19/8/2020

VIDEOCONFERÊNCIA 008 - 2os. B e C 

PARA RECORDAR ...             


          Nas duas horas de videoconferência de hoje (19/8/2020, com início às 14h), retomei as discussões sobre o VERBO na malha do texto. Antes de introduzir a aula com a audição da canção "Como uma onda no mar", de Lulu Santos, solicitei que os estudantes fizessem os seguintes apontamentos: (i) ideia central da composição; (ii) identificação dos tempos verbais, formas nominais e locuções verbais; (iii) identificação de trechos da canção que revelam traços da oralidade; (iv) as imagens presentes nos versos; (v) as relação entre a composição e o estudo sobre verbo e outros.

          Depois da audição, expliquei que a canção "Como uma onda no mar" foi composta por Lulu Santos com parceria do jornalista e escritor Nelson Motta. Na sequência, passei a explicar a relação entre a canção e o estudo gramatical sobre verbo. Ao longo do processo de ensino aprendizagem, fiz a exposição de vários slides com desdobramento teórico, análises e exemplos. Nessa dinâmica, intercalei a exposição dialogada com questões do Sistema Seriado de Avaliação (SSA) da Universidade de Pernambuco e outros certames importantes, como o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), o Sistema de Avaliação Educacional de Pernambuco (SAEPE) e o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEBE) .

           Ao abordar os aspectos morfológicos do verbo, ouvi as impressões dos estudantes sobre os tópicos levantados, ou seja, acompanhei a forma como os estudantes entenderam o uso dos tempos verbais, as formas nominais, as locuções verbais, os trechos da canção com traços de oralidade e demais assuntos. 

              Em outro estágio da aula, revisei o conceito gramatical de verbo e mostrei um diagrama com as possíveis variações desse item lexical (tal flexão envolve: número, pessoa, tempo, modo e "voz"). Depois de lançar alguns questionamentos sobre esta fase, avancei para uma demonstração da estrutura dos verbos. Para ficar mais claro, mostrei uma animação de Powerpoint sobre os itens estruturais dessa classe de palavra (em síntese: RADICAL, VOGAL TEMÁTICA, TEMA, DESINÊNCIA MODO-TEMPORAL E DESINÊNCIA NÚMERO PESSOAL). Só depois dessa intervenção, passei a explicar a classificação dos verbos em: (i) regulares; (ii) irregulares; (iii) anômalos; (iv) abundantes e (v) defectivos.


[EM CONSTRUÇÃO E REVISÃO]   

sábado, 15 de agosto de 2020

CINEMA E AUDIOVISUAL - - WEBLOG - - NOSSO DIÁRIO VIRTUAL 2020

WEBLOG - NOSSO DIÁRIO VIRTUAL 2020

Atenção! Em processo de construção e revisão.

CINEMA E AUDIOVISUAL

 Welcome to our Weblog


"Num filme o que importa não é a realidade, mas o que dela possa extrair a imaginação."
(Charles Spencer Chaplin)



INTRODUÇÃO

As mudanças linguísticas e o avanço no uso de tecnologias da informação exigem cada vez mais da professora e do professor estratégias de ensino que, não só contemple o ensino tradicional, mas também envolva práticas de ensino aprendizagem que abrange os multiletramentos.

Por assim dizer, a eletiva Cinema e Audiovisual objetiva desenvolver habilidades práticas e teóricas, a fim de explorar as diferentes linguagens nos variados meios multissemióticos. Além disso, buscamos aprofundar conceitos e técnicas de produção audiovisuais. Tal proposta se dará a partir de: (i) aulas expositivas, (ii) dinâmicas de grupo, (iii) elaboração de roteiro, (iv) criação de oficinas para idealização de figurino e de cenário, (v) treinamento para melhor desenvoltura da expressão corporal, (vi) técnicas de filmagem, (vii) edição de vídeo e áudio etc.

Com isso, diante das demandas exigidas no plano da Pós-modernidade, instamos em pontuar a função imprescindível da literatura clássica, como base para a produção audiovisual. Associado a esse princípio, queremos agregar ao projeto trabalhos exitosos, da área de teatro, que desenvolvemos nas aulas regulares. Entre as obras vivenciadas, podemos destacar excertos dos livros de: William Shakespeare, Gil Vicente e Ariano Suassuna, só para mencionar alguns.

Quanto à dinâmica da eletiva, já nos dois primeiros meses, os estudantes serão orientados para a produção de um documentário. Por isso mesmo, será empreendida uma pesquisa documental sobre a temática proposta. Na sequência, passaremos a produzir um roteiro, com os principais pontos a serem desenvolvidos.  Com isso, abriremos caminho para uma série de entrevistas com o propósito de elaborar a primeira composição audiovisual. Em seguida, passaremos ao estágio de finalização desse trabalho.

Portanto, como se vê, a eletiva Cinema e Audiovisual pretende contemplar os múltiplos aspectos semióticos levando em conta a pedagogia dos multiletramentos, ao considerarmos os aspectos: escrito, visual, espacial, sensorial, gestual, sonoro e oral. Assim, ambicionamos explorar o máximo de possibilidades linguísticas no plano sócio-discursivo, em que os estudantes estão inseridos.    

(Texto publicado no espaço escolar em 12/2/2019) 


OBJETIVOS 


Compreender os conceitos de multiletramento, bem como reconhecer e explorar as suas possibilidades linguísticas;

Explorar os recursos técnicos no âmbito audiovisual;

Orientar a produção de roteiro;

Produzir figurino temático com uso de material reciclado;

Sensibilizar para a apreciação da arte;

Ler clássicos da literatura estrangeira e da literatura nacional;

Inserir os estudantes no mundo cultural;

Desenvolver técnicas de representação;

Organizar oficinas de maquiagem, cenário, produção de figurino etc.;

Incentivar o uso das diferentes linguagens na produção audiovisual;

Organizar uma mostra de curtas e de filmes produzidos na escola;

Aplicar conhecimento de captação de imagem em movimento;

Expor técnicas de produção audiovisual;

Criar roteiro de curta-metragem, vídeo-minuto, trailer, medley, dublagem, documentários etc.;

Revisar e escrever roteiro para produção de curta-metragem e documentário;

Desenvolver a pré-produção audiovisual;

Treinar os estudantes para encenação;

Formar equipe para editoração de vídeo e som;

Promover a consciência ética;

Reconhecer o direito de imagem;

Vivenciar a cidadania, a consciência crítica, o companheirismo e o respeito mútuo. 



BREVE HISTÓRICO


        Em janeiro de 2018, encaminhei uma proposta de implantação da eletiva de Cinema e Audiovisual. Para isso, idealizei e escrevi um projeto que envolve rigor técnico e aprofundamento teórico. Naquela ocasião, tracei  o planejamento anual para garantir, aprioristicamente, que os estudantes pudessem colocar em prática a elaboração de um documentário e de um curta-metragem.            Nas primeira aulas, orientei a organização de grupos específicos para (i) maquiagem, (ii) figurino, (iii) cenário, (iv) roteiro e (v) edição. De pronto, sugeri um cronograma de produção de documentário e de curta-metragem. Mesmo com poucos recursos, comecei uma série de aulas práticas e teóricas sobre equipamento, filmagem, elaboração de figurino (com material reciclado), catálogo de itens para maquiagem, desenhos para cenário, mapas para orientar o roteiro de filmagens, checklist etc. 
             Para a produção do primeiro curta-metragem, sugeri as "Lendas Urbanas do Recife". Por isso mesmo, conduzi uma série de pesquisas sobre o assunto. Na sequência, marquei várias reuniões com os participantes da eletiva para a criação de um figurino a partir da visão da equipe. Como tem sido feito sempre, os componentes decidiram tudo de forma democrática. 
             Na segunda fase, visitamos um mercado público no entorno da unidade escolar. Para isso, tracei um planejamento específico e dividi as esquipes para entrevista, filmagem, roteiro, equipamento etc. 
            As duas experiências foram exitosas, porque mostram resultados positivos dentro daquilo que foi planejado. Assim, em menos de seis meses, desenvolvemos um documentário, um curta-metragem e outros trabalhos.  
       No mesmo período, fez parte de nossas atividades uma visita à Universidade Federal de Pernambuco, a fim que que os estudantes tivessem contato com a dimensão acadêmica e, ao mesmo tempo, com as possibilidades profissionais advindas do curso de Cinema e Audiovisual ofertado pela referida universidade. Não só isso, tivemos a oportunidade de exibir o nosso curta-metragem em um evento de alcance estadual.
 (...)

CINEMA E AUDIOVISUAL

IMAGENS DAS CENAS DO CURTA-METRAGEM: "RECIFE ASSOMBRADO"



Figura 1  - Imagem de cena introdutória do curta-metragem 

Figura 2 - Imagem de cena introdutória do curta-metragem
       


Figura 3  - Imagem de cena introdutória do curta-metragem 



Figura 4  - Imagem de cena introdutória do curta-metragem 



CINEMA E AUDIOVISUAL

     IMAGENS DAS CENAS DOS DOCUMENTÁRIOS


Figura 5  - Imagem de cena introdutória do documentário MERCADO 

Figura 6  - Imagem de cena introdutória do documentário MERCADO
    
Figura 7  - Imagem de cena introdutória do documentário MERCADO



Figura 8   - Imagem de cena do documentário ESCOLA


Figura 9  - Imagem de cena do documentário ESCOLA



Figura 10  - Imagem de cena do documentário ESCOLA



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CINEMA E AUDIOVISUAL

 👉👉Acompanhem o nosso WEBLOG para saber o histórico dos projetos da disciplina eletiva CINEMA E AUDIOVISUAL.


Figura 11 - Imagem de apresentação do vídeo
        
          No dia 8/5/2020, enviei para o canal uma proposta de atividade para o canal. No vídeo, mostro passo a passo a produção de um curta-metragem a partir de teatro de sombras. A ideia é promover os multiletramentos a partir de atividades linguísticas no campo audiovisual. Conforme tenho defendido, os diferentes aspectos multimodais levam os aprendizes a uma compreensão mais abrangente dos aspectos linguísticos. Soma-se a isso o meu compromisso com a literatura clássica. Por isso mesmo, usei um trecho de um conto de Clarice Lispector, como pode ser visto no link a seguir:

Segue o link com detalhes do projeto (publicado no canal 8/5/2020):



  
Figura 12 - Imagem de abertura do vídeo


   👇VIDEOCONFERÊNCIA 002

             Ao dar continuidade as atividades da Eletiva de Cinema e Audiovisual, no dia 15/5/2020, lancei a proposta da elaboração de um curta-metragem. A ideia inicial foi levantar uma série de questionamentos sobre o cotidiano dos estudantes,  a fim de encorajar os estudantes, uma vez que passamos por um período rígido de confinamento. Como pode ser acompanhado no vídeo, as perguntas foram elaboradas com a finalidade de produzir um roteiro. 
Para montar o curta-metragem "COTIDIANO", expliquei aos componentes da eletiva, que eu iria usar trechos de filmes que coletei em 2018 (filmei: a entrada da escola, o fluxo de estudantes, os corredores da escola, as salas, atividades na quadra, pátio, cozinha e entrevistei algumas pessoas da escola). O projeto foi explicado com detalhes aos aprendizes para que os textos fossem entregues e em seguida, cada estudantes, deveria gravar um áudio contanto um pouco do seu dia a dia. Depois da coleta de todo esse material, passaríamos pela fase de montagem com fotos, trechos de vídeos e desenhos.
 
Segue o link com detalhes do projeto (publicado no canal 11/6/2020):





Figura 13 - Imagem de convite publicada na plataforma Google Classroom




   👇VIDEOCONFERÊNCIA 003




Figura 14 - Imagem de convite publicada na plataforma Google Classroom


   👇VIDEOCONFERÊNCIA 004

          Nesta videoconferência, expliquei o processo de elaboração de um storyboard. Na ocasião, mostrei a importância desse recurso para a produção de um curta-metragem. 


Figura 15 - Imagem de ficha para Storyboard




Figura 16 - Imagem de convite publicada na plataforma Google Classroom

   👇VIDEOCONFERÊNCIA 004    



Figura 17 - Imagem de convite publicada na plataforma Google Classroom


   👇VIDEOCONFERÊNCIA 005   


Figura 18 - Imagem de convite publicada na plataforma Google Classroom

   👇VIDEOCONFERÊNCIA 006              
          No dia 7/8/2020, tivemos um momento todo especial de planejamento. Assim, sugeri os seis temas abaixo:



Figura 19 - Imagem de apresentação de slide durante aula através do Google Meet



          Nessa mesma sexta-feira (7/8/2020), fiz uma videoconferência com os estudantes com o objetivo de orientá-los em relação a pesquisa, a elaboração e a apresentação dos seminários. Nessa aula, exemplifiquei a elaboração de slides com imagens e tópicos bem distribuídos, expliquei a forma técnica de compor as referências (bibliográfica ou a partir de sites), bem como lancei um desafio para que os participantes trouxesse para cada tema uma proposta de aplicação na própria eletiva.


Figura 20 - Imagem de convite publicada na plataforma Google Classroom

   👇VIDEOCONFERÊNCIA 007        
          Prezados protagonistas, parabéns! 
         Os seminários foram muito bem apresentados. Na ocasião, pude registrar o interesse e a dedicação dos participantes. Quanto aos slides, é preciso ressaltar que todo o material exposto revelou o resultado de uma pesquisa profunda e, ao mesmo tempo, refletiu todo o cuidado na elaboração dos projetos. 


Figura 21 - Imagem de convite



           Na próxima sexta-feira (21/8/2020), planejaremos as atividades agendadas. Em outras palavras, no dia 28/8/2020, iremos vivenciar uma prática de entrevista e uma apresentação de dublagem. 

           👇VIDEOCONFERÊNCIA 008 - 21/8/2020

            Na aula de hoje, planejamos os nossos próximos passos. Assim, definimos a seguinte sequência de apresentações: (i) EQUIPE 1 - começará com uma entrevista; (ii) EQUIPE 2 - apresentará uma dublagem com edição própria; (iii) EQUIPE 3 - irá estrear um trailer e (iv) EQUIPE 4 - finalizará com a apresentação de uma dublagem. 

ATENÇÃO! Os projetos devem ser encaminhados para a plataforma Google Classroom (com antecedência).


          👇VIDEOCONFERÊNCIA 009 - 28/8/2020


Figura 22 - Imagem de convite

Nesta aula, os estudantes apresentaram os seguintes projetos:

1. Dublagem - A partir de uma cena conhecida, os componentes da equipe gravaram um áudio e incorporaram ao trecho de vídeo selecionado.
2. Entrevista - Perguntas foram elaboradas com antecedência sobre atividades de profissionais de educação. Na sequência, sugeriu-se uma componente da eletiva para representar a entrevistada (no caso, uma estudante representou a professora). 
3. Trailer - Na primeira etapa, uma estudante elaborou a apresentação com slides sobre o trailer que serviu de matriz. Em seguida, uma componente planejou e dirigiu o projeto do novo trailer. Para isso, a estudante gravou cenas, fez a montagem e, posteriormente, apresentou.



          👇VIDEOCONFERÊNCIA 010 - 4/9/2020

🙋PRÓXIMA AULA  4/9/2020
Na próxima aula, iremos planejar novas atividades. 

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

ROMANTISMO

LITERATURA 

Atenção! Em processo de construção e revisão.

ROMANTISMO NO BRASIL (resumo da aula)

Leonardo Ferreira da Silva

          O Romantismo foi introduzido no Brasil com a publicação do livro "Suspiros Poéticos e Saudades", de Domingos José Gonçalves de Magalhães, em 1836. Apesar do lançamento ter sido na França em Niterói - Revista Brasiliense, o autor brasileiro inaugura o movimento romântico no Brasil. 

          Como tenho dito nas minhas aulas, o Romantismo brasileiro foi fortemente marcado pela literatura europeia. Assim, autores como Johann Wolfgang Goethe, Walter Scott, George Gordon Byron, Victor Hugo, François-René de Chateaubriand e Almeida Garrett são exemplos marcantes da influência estrangeira na produção literária do Brasil.

          Didaticamente, podemos dividir a poesia em três fases, quais sejam: (i) Primeira Fases, que é denominada Nacional ou Indianista; (ii) Segunda Fase, que é tida como: Mal do Século (o surto de tuberculose da época recebeu essa denominação), Ultrarromântica ou Byroniana (porque essa fase recebeu forte influência de Lord Byron, já citado acima) e (iii) Terceira Fase, que ficou conhecida como Social, Libertária ou Condoreira (metáfora do condor). 

          O elemento indígena foi tema central de autores como Antônio Gonçalves Dias e José Martiniano de Alencar. Como se sabe, Gonçalves Dias se destacou com seus poemas e José de Alencar traçou a 'imagem' do indígena, especialmente, nos livros: Iracema, Ubirajara e O Guarani. 

          Quero destacar, nesta parte introdutória, as produções que remetem ao Romantismo nas artes plásticas e na música: Nesse sentido, evidencio a tela Iracema (1881), de José Maria de Medeiros e Marabá (1882), de Rodolfo Amoedo. Na música, convém destacar a ópera "Il Grarany", de Antônio Carlos Gomes (1870). Conforme prometi, ofereço um link que levará o internauta a uma pequena demonstração da peça musical.

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👉👉 https://www.youtube.com/watch?v=rRUMTl4gIng

Abertura de O Guarani, de Antônio Carlos Gomes (1836-1896)

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          Ao apreciarmos essa parte da composição sugerida acima, notamos a grande envergadura artística do músico brasileiro, que levou para o mundo imagens que remetem à produção de Alencar. 

          No entanto, vale advertir que essa percepção não é unânime, pois alguns críticos literários e outros estudiosos têm uma visão antagônica a essa. Refiro-me aos "deslizes" de José de Alencar, ao representar o nativo. Embora o escritor cearense tenha "pintado" uma imagem fantasiosa (e até heroica) de Peri, estudiosos, como Alfredo Bosi, fazem críticas ácidas a essa concepção. Para melhor entendermos, a seguir, irei transcrever um excerto de "O Guarani":

"Uma simples túnica de algodão, a que os indígenas chamam aimará, apertada à cintura por uma faixa de penas escarlates, caía-lhe dos ombros até ao meio da perna, e desenhava o talhe delgado e esbelto como um junco selvagem.

Sobre a alvura diáfana do algodão, a sua pele, cor de cobre, brilhava com reflexos dourados; os cabelos pretos cortados rentes, a tez lisa, os olhos grandes com os cantos exteriores  erguidos para a fronte; a pupila negra, móbil, cintilante; a boca forte mas bem modelada e guarnecida de dentes alvos, davam ao rosto pouco oval a beleza inculta da graça, da força e da inteligência. 

Tinha a cabeça cingida por uma fita de couro, à qual se prendiam do lado esquerdo duas plumas matizadas, que descrevendo uma longa espiral, vinham roçar com as pontas negas o pescoço flexível.

Era de alta estatura; tinha as mãos delicadas; a perna ágil e nervosa, omada com uma axorca de frutos amarelos, apoiava-se sobre as flechas com a mão direita caída, e com a esquerda mantinha verticalmente diante de si um longo forcado de pau enegrecido pelo fogo". 

          Esse fragmento da obra revela uma imagem do indígena, que remeta ao mito do "bom selvagem", de Jean-Jacques Rousseau, na qual "o homem nasce puro e inocente em seu estado natural, porém a sociedade o corrompe" (...) 

          Na sequência, faço uma "ponte" entre o indígena representado em Alencar e, guardadas as devidas proporções, o indígena em pleno século XXI. Em minhas aulas, trago algumas reflexões contextuais sobre as comunidades indígenas, que têm resistido ao longo dos séculos. Nesse contexto, convém exibir o censo de 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que revela um contingente de 800 mil indígenas no Brasil. Ao constatar que o número de indígenas vem diminuindo a cada ano, levanto questionamentos para que os estudantes possam discorrer sobre o assunto.  Nesse sentido, pretendo oferecer uma reflexão crítica sobre questões que envolvem essas pessoas e, ao mesmo tempo, trago, com certa frequência, temas transversais, a fim de que os estudantes possam compreender as diferentes perspectivas que o assunto exige. Além disso, faço menção das publicações jornalística sobre o assunto (por exemplo, matéria que trata da chegada de Covid-19 "a região próxima de indígenas isolados do Amazonas", 👉 https://veja.abril.com.br/noticias-sobre/indios/). Assim, procuro mostrar o 'cenário' atual dos povos indígenas a partir de periódicos nacionais e internacionais, bem como, aprofundo o debate com inserções de teorias do campo da sociologia e da antropologia.

(...)   

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Para mostra o processo de avaliação contínua nas videoconferências, escrevi esse cordel para explicar o método de forma lúdica.

VERSOS PARA GUIAR NOSSOS ESTUDOS 

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👉https://www.youtube.com/watch?v=AZkD5XIhpYg

(Link do canal do Prof. Leonardo Ferreira: animação do poema).

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Na rima para avaliar 

Leonardo Ferreira da Silva

Prezados internautas

Peço licença para falar

Sei que muita gente gosta das aulas acompanhar 

Sei que outros ainda

Precisam nesta aventura entrar


Estava em minha casa

Estudando e a planejar

Apareceu um passarinho

Começou a cantarolar

Disse que tem internauta

que minha aula não quer acompanhar

 

Aquilo me deixou curioso

Quero logo confessar 

Continuou o passarinho no seu cantarolar

Que exitem aqueles que acessam os links

Mas as aulas não querem acompanhar


Deixam o celular ligado

E vão pelo mundo andar

Continuou o passarinho

que não queria parar


O meu interesse ficou maior

Pela notícia que o pássaro passou a falar

Pois alguns estudantes preferem um filme 

Outros querem jogar 


Diante disso tudo

Preciso pontuar

Agradeci ao passarinho 

Que veio me informar

Para na aula de hoje 

Ninguém me enganar 


Vou fazer uma chamada 

Todos devem acompanhar

A avaliação é contínua

Devem observar


Isso vale para a plataforma

Devo recomendar

A participação nos cometários

Eu vou pontuar

Quando começarem os seminários

Todos precisam anotar

Porque no tempo certo

Uma pergunta vou lançar


Aquele que prontamente

A resposta não falar

Não terá pontuação para a nota completar


Para isso não precisa

Ficar em aflição

Por causa do dia do estudante 

Todos têm o meu perdão


Mesmo assim fiquem atentos

A toda explanação

Vou fazer perguntas

Sem muita adulação

Cuidado com o passarinho 

Que levantou a questão  


Penso que tudo ficou claro

Para a vossa compreensão 

Não esqueçam o processo contínuo de nossa avaliação

Agradeço a todos vocês do fundo do coração

Toda essa gente bonita desta nova geração


Leonardo Ferreira da Silva (11/8/2020)


          Na sequência, fiz uma introdução sobre a prosa no Romantismo. Nesse particular, apresentei alguns slides com tópicos e imagens sobre as seguintes produções: A Moreninha, O Guarani, Ubirajara, Iracema, Senhora, Diva, Cinco Minutos, Memórias de um Sargento de Milícias, A Escrava Isaura, Inocência e outros. Antes, porém, contextualizei as obras no plano histórico e destaquei o estilo de cada autor. Além disso, agrupei os romances em categorias: (i) urbanos ou de costumes, (ii) regionalistas, (iii) históricos, (iv) rurais e (v) indianistas, como pode ser visto no link abaixo:

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CONFIRA OS DETALHES

👉  https://www.youtube.com/watch?v=bZ0nV9hEAB0&t=12s

(Canal do Prof. Leonardo Ferreira: a prosa no Romantismo)          

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          Ao aprofundar o estudo, frisei alguns aspectos da narração, como: tipos de narrador, personagens, espaço, tempo, clímax, desfecho etc. 

          Em outra ocasião, lancei uma proposta para apresentação de seminários.  Para realizar essa etapa, os estudantes receberam - através da plataforma Google Classroom - sugestões para a elaboração dessa atividade (individual ou em grupo). Na mesma plataforma, os estudantes receberam orientações sobre pesquisa da biografia e da bibliografia dos autores,  foram orientados sobre a elaboração de slides, sobre a diferença entre narrador e autor, sobre personagens (protagonista, antagonista etc.), sobre espaço, sobre tempo, sobre foco narrativo, sobre verossimilhança, sobre temas transversais (como o problema do racismo, como 'tipo de exploração', como os reflexos do passado histórico no presente etc.). Ao longo da semana que precedeu a aula, os estudantes fizeram vários e importantes comentários sobre a elaboração dos seminários. Na aula subsequente, os estudantes apresentaram os trabalhos com muita segurança e profundidade teórica. Ao longo das apresentações, os aprendizes fizeram perguntas interessantes e puderam expressar a opinião. Aproveitei o ensejo para dirimir as dúvida e mostrar a diferença entre "opinião" e "fato". Para cumprir os meus objetivos, levantei questões que aparecem tanto no programa do Sistema Seriado de Avaliação (SSA) da Universidade de Pernambuco, quanto no programa do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).

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Acesse o link de exercícios resolvidos:

👉https://www.youtube.com/watch?v=cXRkK1xl_p0

(Canal do Prof. Leonardo Ferreira: resolução de exercícios sobre a prosa no Romantismo).          

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      O PROCESSO AVALIATIVO é contínuo e envolve: pesquisa, participação nas videoconferências, interação, comentários na página da plataforma, produção de texto, resolução de questões, leitura complementar do blog e AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA

EM DIA COM O SSA-UPE

 

🙋EM DIA COM O SSA-UPE 

Prezados estudantes, atenção!

As inscrições para o SSA –UPE começam segunda-feira 17/8 a 20/9/2020.

Como se sabe, a Universidade de Pernambuco oferta 3.460 vagas, para 54 graduações. Fiquem atentos!

 👉Inscrição: https://processodeingresso.upe.pe.gov.br/

👉👉Período de solicitação de isenção: 17 a 28/8/2020 👀   

👇👇Data das provas:

SSA-UPE 1

🙋  31 de janeiro e 1  de fevereiro de 2021.

Até primeiro de fevereiro!

SSA-UPE 2 

🙋  31 de janeiro e 1 de fevereiro de 2021.

Até primeiro de fevereiro!

SSA-UPE 3

🙋  4 e 5 de fevereiro de 2021.


domingo, 2 de agosto de 2020

ENSINO MÉDIO - TERCEIRO BIMESTRE

BIMESTRE III 

.................................. 🙋ENSINO MÉDIO - 2os. ANOS - 2020

➤Linguagem
Verbo
Advérbio

➤Literatura
Realismo
Naturalismo
Parnasianismo

➤Leitura, compreensão e interpretação de texto 
Artigo de opinião, charge, tirinha, conto, crônica, reportagem, notícia, anúncio publicitário, cartaz e outros

...................................🙋ENSINO MÉDIO - 3os. ANOS - 2020
➤Linguagem 
Orações Subordinadas Adverbiais
Pontuação

➤Literatura 
Segunda fase do Modernismo
O Romance de 30
Rachel de Queiroz
Graciliano Ramos
José Lins do Rego
Érico Veríssimo
Dionélio Machado

Poesia - continuação
Carlos Drummond de Andrade
Murilo Mendes
Jorge de Lima
Cecília Meireles
Vinícius de Moraes
O teatro brasileiro no século XX e XXI
Ariano Suassuna
Nelson Rodrigues

➤Leitura, compreensão e interpretação de texto 
Artigo de opinião, charge, tirinha, cartum, conto, crônica, fábula, reportagem, notícia, anúncio publicitário, cartaz e outros